O segundo ciclo do Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa), divulgado nesta quarta-feira pelo Ministério da Saúde, revelou que 49,2% dos 3.732 municípios que enviaram dados ao governo federal estão em situação de alerta ou risco de infestação pelo mosquito Aedes aegypti. Este vetor é responsável pela transmissão de doenças como dengue, chikungunya e zika. Apesar do elevado índice de alerta, os dados de infecção apresentaram uma melhora significativa em comparação ao mesmo período do ano anterior, indicando avanços nos esforços de controle das arboviroses no país.
O levantamento, realizado entre maio e agosto de 2023, fornece informações essenciais para que estados e municípios possam direcionar ações de prevenção e combate às doenças transmitidas pelo Aedes aegypti. As ações estratégicas são fundamentais para reduzir a circulação do mosquito, especialmente diante do aumento das temperaturas e da ocorrência de eventos climáticos extremos, agravados pelo fenômeno El Niño, que tem alterado os padrões de chuva e temperaturas globalmente.
No âmbito epidemiológico, o Brasil registrou uma queda de aproximadamente 70% no número de casos prováveis de dengue em 2026, comparado ao mesmo período do ano anterior. Até 26 de setembro, foram contabilizados cerca de 470,5 mil casos, contra aproximadamente 1,5 milhão registrados até o mesmo mês de 2025. Além da dengue, também houve redução nos casos de chikungunya e zika, o que indica uma tendência positiva no controle das doenças.
O levantamento do LIRAa também aponta os principais focos de criadouros do Aedes aegypti, que continuam prevalentes em recipientes comuns do cotidiano, tanto dentro quanto fora das residências. A presença de focos permanece alta em objetos como pneus, vasos de plantas, garrafas e outros recipientes que acumulam água parada, condições ideais para a reprodução do mosquito. As regiões do país apresentam variações nos índices de infestação, o que reforça a necessidade de ações específicas de acordo com a situação local.
Com base nesses dados, as equipes de vigilância epidemiológica de cada município podem planejar e implementar estratégias de combate mais eficazes, ajustando as ações às particularidades de cada região. O Ministério da Saúde reforça ainda que a adoção de medidas de prevenção deve ser antecipada e intensificada por estados, municípios e pela população, especialmente com a proximidade do verão, período de maior risco de transmissão devido ao aumento da temperatura.
Para enfrentar o desafio, o governo destacou ações de controle que incluem a eliminação de criadouros, inspeções regulares em residências e espaços públicos, além de campanhas de conscientização. Ressalta-se que a eficácia dessas medidas depende diretamente da colaboração da população, que deve vistoriar suas casas e ambientes ao redor, eliminando recipientes que possam acumular água e contribuir para a proliferação do mosquito.
As condições climáticas agravadas pelo fenômeno El Niño representam um fator adicional de preocupação, pois alteram os padrões de chuva e temperatura, favorecendo o aumento de focos do Aedes aegypti. Assim, o esforço conjunto entre governo, municípios e cidadãos é considerado essencial para reduzir o risco de transmissão das arboviroses e proteger a saúde pública durante o próximo período de maior incidência dessas doenças.