O senador democrata americano Chris Murphy afirmou nesta terça-feira, 6 de novembro, que o Pentágono impediu sua entrada em uma importante base militar dos Estados Unidos durante uma visita ao Catar, alegando que a restrição reflete uma tentativa do governo dos EUA de esconder os custos e as consequências do conflito com o Irã. Murphy, membro da Comissão de Relações Exteriores do Senado, fez as declarações durante uma viagem ao Oriente Médio, com sua segunda parada sendo na capital da Arábia Saudita, Riade.
Segundo Murphy, a restrição de acesso às instalações militares americanas no Oriente Médio reforça sua convicção de que o governo dos Estados Unidos está adotando uma postura sem precedentes e, possivelmente, inconstitucional ao tentar ocultar informações essenciais sobre os custos financeiros e humanos do conflito. Ele afirmou que essa tentativa de sigilo estaria sendo feita tanto para o Congresso quanto para o público americano, dificultando o entendimento completo sobre o impacto da operação militar na região.
O contexto do conflito remonta ao final de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel lançaram ataques militares contra o Irã, em resposta a ações iranianas que atingiram instalações militares americanas na região. Como retaliação, o Irã realizou ataques contra várias instalações militares americanas em diferentes países do Oriente Médio, incluindo a Base Aérea de Al Udeid, localizada a sudoeste de Doha, no Catar. Essa instalação é uma das maiores e mais estratégicas bases militares americanas na região, tendo sido um dos principais alvos dos ataques iranianos.
De acordo com um relatório divulgado em 14 de setembro pelo Escritório do Inspetor-Geral do Departamento de Defesa dos Estados Unidos (DoDIG), o conflito resultou em danos significativos às bases militares e instalações diplomáticas americanas na região. O documento revelou que centenas de edifícios e estruturas foram danificados ou destruídos, além de mais de 50 aeronaves militares americanas terem sido afetadas, seja por danos ou destruição. Essas perdas evidenciam a intensidade dos embates e os prejuízos materiais enfrentados pelos Estados Unidos na região desde o início das hostilidades.
Paralelamente, membros do Congresso têm solicitado reiteradamente ao governo informações detalhadas sobre os custos financeiros do conflito, bem como sobre o número de baixas militares resultantes. Até o momento, o Departamento de Defesa dos EUA confirmou que, até 8 de setembro, suas forças haviam registrado 838 baixas relacionadas ao conflito, incluindo 18 mortes e 820 feridos. No entanto, há críticas crescentes quanto à demora na divulgação de detalhes sobre os militares feridos, com autoridades justificando a retenção de informações por questões de segurança.
Durante sua visita à Arábia Saudita, Murphy também observou os efeitos de um ataque de drone à Embaixada dos Estados Unidos em Riade, que causou danos consideráveis à estrutura. O senador alertou que, se o incidente tivesse ocorrido durante o horário de expediente, poderia ter resultado em um grande número de vítimas.
A postura do Pentágono em relação à transparência tem sido alvo de críticas crescentes, especialmente devido à resistência em divulgar informações completas sobre os custos e as baixas decorrentes do conflito com o Irã. Especialistas e parlamentares argumentam que o sigilo prejudica o debate democrático e impede uma compreensão adequada do impacto da intervenção militar na região, além de dificultar a fiscalização por parte do Congresso.