O índice de volatilidade do mercado acionário brasileiro, conhecido como VIX B3 ou “índice do medo”, apresentou uma forte queda nesta segunda-feira, 5 de novembro, encerrando a sessão com uma redução de aproximadamente 27,7%, ao atingir 23,68 pontos. Na sexta-feira anterior, 2 de novembro, o indicador havia registrado seu maior valor na série histórica iniciada em 2024, com 32,77 pontos. A significativa retração reflete uma mudança na percepção de risco dos investidores, após o resultado do primeiro turno das eleições gerais realizadas no domingo, 4 de novembro.
O VIX mede a expectativa de volatilidade implícita para os próximos 30 dias no mercado brasileiro, funcionando como um termômetro do grau de incerteza dos investidores. Quanto maior o índice, maior a percepção de risco e de possíveis oscilações acentuadas nos preços dos ativos. Na semana passada, o indicador atingiu recordes históricos, impulsionado pelo clima de incerteza em torno do cenário eleitoral, marcado por uma disputa acirrada entre os principais candidatos ao Palácio do Planalto: o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Os resultados do primeiro turno mostraram uma vantagem do candidato do PL, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, o que manteve o cenário de uma disputa acirrada e elevou as expectativas de uma possível segunda rodada. Além do resultado presidencial, houve uma vitória expressiva da direita nos governos estaduais e no Legislativo, contribuindo para o otimismo dos mercados nesta segunda-feira. Como consequência, o índice Ibovespa atingiu uma máxima histórica, passando dos 200 mil pontos, enquanto o dólar operou abaixo de R$ 5 em parte da sessão e os juros futuros apresentaram queda consistente.
Segundo Silvio Cassione, diretor do Eurasia Group, a reação do mercado não se limita à expectativa de uma vitória de Flávio Bolsonaro, mas também reflete a composição do Congresso. Ele destacou que o crescimento da bancada do PL na Câmara dos Deputados possibilita uma maior capacidade de aprovação de propostas econômicas pelo novo governo, independentemente de quem venha a vencer a disputa presidencial na eventualidade de Lula não se reeleger. Cassione afirmou ainda que, caso Lula consiga a reeleição, enfrentará obstáculos no Congresso, especialmente em relação às regras fiscais, dada a configuração atual do Legislativo.
O índice de volatilidade, portanto, serve como um importante indicador de percepção de risco para investidores, gestores e analistas. Sua queda nesta segunda-feira indica uma maior confiança do mercado na estabilidade política e econômica, após a fase de maior incerteza gerada pelos resultados eleitorais. A expectativa é que a evolução do VIX continue a refletir o cenário político à medida que se aproxima a definição do segundo turno e as negociações no Congresso.