O resultado do primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras, que colocou Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como principais candidatos, provocou uma forte reação nos ativos financeiros do país na abertura dos mercados nesta semana. O índice Ibovespa atingiu a marca de 209,6 mil pontos, seu maior nível histórico até então, enquanto o dólar e as taxas de títulos prefixados e de juros futuros apresentaram recuos significativos. Apesar desse movimento de otimismo, especialistas alertam para a necessidade de cautela por parte dos investidores, uma vez que a reação inicial não deve ser interpretada como uma confirmação definitiva do resultado do segundo turno.
A alta expressiva do mercado acionário foi influenciada por uma combinação de fatores, incluindo uma reação de empresas menores e ligadas à economia doméstica, que passaram a enxergar uma perspectiva de redução dos juros e maior estabilidade econômica. Segundo Marilia Fontes, apresentadora do programa Resenha do Dinheiro, essa movimentação foi diferente do que as pesquisas e parte do mercado esperavam, refletindo uma mudança de percepção diante do cenário eleitoral. Ela destaca que a valorização dos ativos não deve ser interpretada como uma preferência clara por um candidato específico, mas sim como uma reação às expectativas econômicas relacionadas às propostas apresentadas pelos candidatos.
Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb, explica que a valorização dos ativos ocorre principalmente devido às perspectivas econômicas que as propostas dos candidatos podem gerar. Entre os fatores considerados pelos investidores estão uma política fiscal mais rigorosa, com controle dos gastos públicos, a possibilidade de redução dos juros, incentivo ao empreendedorismo e maior segurança jurídica. Segundo ele, essa expectativa leva o mercado a antecipar os efeitos de possíveis políticas econômicas sobre os resultados das empresas, trazendo esses efeitos ao valor presente.
A reação positiva não se limitou ao mercado de ações. As taxas dos títulos públicos prefixados também recuaram, saindo de níveis próximos a 14% para aproximadamente 13%. Essa redução implica uma valorização dos títulos que já estão nas carteiras dos investidores, especialmente de títulos como o IPCA+ com prazo de sete anos, cuja valorização pode ser significativa com uma queda de um ponto percentual na taxa de juros, explica Marilia Fontes. Além disso, o dólar também apresentou baixa na abertura, chegando a ficar abaixo de R$ 5, o que reforça a percepção de que a moeda americana reagiu ao cenário eleitoral.
Thiago Godoy, conhecido como “Papai Financeiro”, reforça que a exposição ao dólar continua sendo uma estratégia importante de diversificação de investimentos. Para ele, a valorização do real no curto prazo não deve levar os investidores a abandonarem a moeda americana, uma vez que a diversificação ajuda na proteção do patrimônio contra volatilidades futuras.
Contudo, especialistas ressaltam que essa alta inicial não deve ser interpretada como uma confirmação antecipada do resultado do segundo turno. Marilia Fontes destaca que a disputa eleitoral ainda pode sofrer alterações, uma vez que a margem entre os candidatos permanece estreita, o que torna arriscado tomar decisões de investimento baseadas apenas na movimentação de abertura dos mercados. Ela alerta que mudanças no cenário eleitoral podem ocorrer até a votação final, e que os investidores devem evitar ações impulsivas.
Bernardo Pascowitch também chama atenção para o risco do fenômeno conhecido como FOMO, ou seja, o medo de ficar de fora de uma oportunidade de lucro. Para evitar decisões precipitadas, ele recomenda que os investidores realizem novas aplicações de forma gradual, distribuindo seus recursos ao longo do tempo, seja semanalmente ou a cada 15 dias. Essa estratégia visa reduzir riscos e acompanhar de perto a evolução do cenário econômico e eleitoral.
A análise dessas movimentações e recomendações é apresentada no programa Resenha do Dinheiro, realizado com o apoio da B3 e da gestora de investimentos BlackRock. Conduzido por Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos, e pelos especialistas Bernardo Pascowitch e Thiago Godoy, o programa busca oferecer uma abordagem clara, objetiva e descomplicada sobre temas de educação financeira e investimentos. Com uma linguagem acessível, a atração aborda semanalmente os principais temas da economia, promovendo uma análise equilibrada e fundamentada, sem sensacionalismo. O Resenha do Dinheiro é exibido às sextas-feiras, às 19h, no canal do CNN Money no YouTube, e aos domingos, às 15h, na CNN Brasil.