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Juros futuros no Brasil sobem acompanhando alta nos rendimentos dos Treasuries e tensões no Oriente Médio

•Ilustração gerada por IA

As taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) no mercado brasileiro encerraram a quinta-feira, 24 de outubro, em alta, influenciadas por movimentos no cenário externo, especialmente pelos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, além do fortalecimento do dólar e do petróleo. Esses fatores foram agravados pelas preocupações com a continuidade do conflito no Oriente Médio, que elevou a aversão ao risco global e impactou os mercados financeiros.

Na sessão, a taxa do DI para janeiro de 2028 atingiu 13,675%, apresentando um aumento de 10 pontos-base em relação ao fechamento anterior, que foi de 13,573%. Na ponta mais longa da curva de juros futura, a taxa do DI para janeiro de 2035 fechou em 14,065%, com alta de 3 pontos-base frente aos 14,039% registrados na sessão anterior. Esses movimentos refletem a percepção de maior risco e expectativa de manutenção de juros elevados no curto prazo.

O movimento de alta nos juros brasileiros foi acompanhado pelo rendimento dos títulos do Tesouro dos EUA, especialmente o de 30 anos, que atingiu durante o dia o maior nível desde 2004. Essa elevação indica uma precificação de uma possível guerra prolongada entre os Estados Unidos, Israel e Irã, o que pode gerar efeitos inflacionários e desacelerar a atividade econômica nos EUA. Os rendimentos dos Treasuries de 10 e 30 anos subiram cerca de 7 pontos-base, atingindo, respectivamente, 5,187% e 5,473%. Além disso, o rendimento do petróleo Brent avançou 4,22%, cotado a US$ 107,43 por barril, refletindo preocupações com a estabilidade da oferta global de energia.

Durante a manhã, a taxa do DI para janeiro de 2028 chegou a marcar uma mínima de 13,550%, antes de atingir a máxima de 13,685% às 12h52, o que demonstra a volatilidade do mercado diante das notícias internacionais. Os rendimentos dos Treasuries também renovaram as máximas do dia nesse horário, reforçando o ambiente de maior aversão ao risco.

No cenário doméstico, o Banco Central (BC) divulgou, na manhã de quinta-feira, suas novas projeções econômicas por meio do Relatório de Política Monetária. A expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2026 foi revisada de 2,0% para 1,8%, enquanto a previsão para 2027 caiu de 1,4%. O diretor de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos do BC, Paulo Picchetti, afirmou que a instituição realiza atualmente uma “calibração” da taxa Selic, atualmente em 13,75% ao ano, e que os juros permanecerão em patamares restritivos. Segundo ele, o objetivo é manter as taxas elevadas para cumprir a meta de inflação.

Analistas de mercado destacam que a desaceleração da atividade econômica no Brasil tem sido um dos fatores que sustentam a expectativa de novos cortes na taxa básica de juros. A curva de juros futuros precifica, na maior parte das operações, um novo corte de 25 pontos-base na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de novembro, embora haja ponderações de que essa decisão dependerá do cenário político e econômico pós-eleitoral.

Na esfera política, os investidores permanecem atentos à disputa pelo Palácio do Planalto, entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que aparecem tecnicamente empatados nas últimas pesquisas eleitorais. Um novo levantamento do Datafolha está previsto para ser divulgado no início da noite, podendo influenciar o cenário de expectativas e decisões de investimento.

No âmbito de investigações, destaca-se a operação Carbono Oculto, deflagrada nesta quinta-feira pela Receita Federal e pelo Ministério Público de São Paulo. A ação visa apurar suposto esquema de lavagem de dinheiro na compra de uma grande distribuidora de combustíveis, envolvendo um executivo do mercado financeiro com ligações ao Banco Genial e um delator do caso Banco Master.

No cenário internacional, além do aumento nos rendimentos dos títulos do Tesouro, o mercado de commodities também reagiu às tensões geopolíticas. O petróleo Brent, referência global, subiu 4,22%, cotado a US$ 107,43 por barril, refletindo o impacto das incertezas na oferta de energia e na estabilidade do mercado mundial.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade