A fabricante chinesa de chips DRAM, China XD Memory Technology (CXMT), anunciou nesta semana que sua plataforma tecnológica de quinta geração entrou em produção em massa, representando um avanço significativo na indústria de semicondutores do país. O lançamento dessa nova plataforma tecnológica visa ampliar a competitividade da China frente a gigantes globais como Samsung Electronics, SK Hynix e Micron Technology, consolidando uma presença mais robusta no mercado mundial de chips de memória.
A DRAM, sigla para memória dinâmica de acesso aleatório, é uma componente essencial na operação de dispositivos eletrônicos modernos, incluindo smartphones, computadores e outros equipamentos que requerem memória de curto prazo para execução de aplicativos e programas. A inovação da CXMT busca não apenas melhorar o desempenho desses componentes, mas também reduzir custos de produção e o consumo de energia, fatores cruciais para a competitividade no setor.
Segundo a empresa, a nova plataforma foi projetada para fabricar chips de memória mais potentes, com maior densidade e eficiência, ao mesmo tempo em que oferece uma alternativa de fornecimento para fabricantes de eletrônicos, contribuindo para a redução da dependência de fornecedores estrangeiros. A CXMT, que abriu seu capital na Bolsa de Valores de Xangai neste ano, destacou que essa tecnologia proporcionará uma fonte adicional de chips utilizados em smartphones e outros dispositivos portáteis.
Um dos principais avanços da nova plataforma está na capacidade de integrar estruturas minúsculas que armazenam dados, posicionadas mais próximas umas das outras, permitindo maior densidade de memória em cada chip. Essa inovação possibilita que mais memória seja alojada em um único chip e que uma quantidade maior de chips seja produzida a partir de cada wafer de silício. A empresa afirmou que reduziu o espaçamento entre elementos-chave na parte do chip responsável pelo armazenamento de dados para cerca de 11,95 nanômetros — aproximadamente 12 bilionésimos de metro — usando um método denominado “padrões quádruplos”, que repete múltiplas etapas de fabricação para criar circuitos mais finos e precisos.
Luo Xiaodong, vice-presidente da CXMT e responsável pelo centro de marketing da companhia, afirmou durante a Convenção Mundial de Manufatura de 2026, realizada em Hefei, que a capacidade de processamento da empresa agora se equipara às tecnologias de produção em massa mais avançadas do setor. Essa declaração reforça a importância do avanço tecnológico para a competitividade da CXMT no cenário global.
Além disso, a fabricante apresentou dois novos produtos de memória LPDDR5X de 24 gigabits, fabricados na nova plataforma. Esses chips representam uma evolução significativa, pois armazenam 50% mais dados do que os produtos anteriores da CXMT, além de serem de baixo consumo energético, voltados principalmente para smartphones e dispositivos eletrônicos portáteis. Os produtos já estão em produção em massa e são oferecidos em diferentes formatos de embalagem, atendendo às variadas necessidades de design de dispositivos móveis.
A empresa também destacou que a nova plataforma tem capacidade de produzir pelo menos 50% mais chips brutos por wafer do que sua geração anterior, baseada em chips de 8 gigabits. Essa métrica refere-se ao potencial de produção antes da eliminação de unidades defeituosas, indicando uma melhora na eficiência de fabricação. Para alcançar esses avanços, a CXMT utilizou simulações computacionais avançadas e colaborou estreitamente com fabricantes chineses de equipamentos de semicondutores em etapas críticas do processo produtivo.
O desenvolvimento dessa plataforma ocorre em um momento de crescente esforço da China para reduzir sua dependência de tecnologia estrangeira em semicondutores, especialmente diante das restrições impostas pelos Estados Unidos desde 2022, que limitam o acesso do país a equipamentos avançados de fabricação de chips e softwares relacionados. Assim, a inovação da CXMT representa um passo importante na estratégia chinesa de fortalecer sua cadeia de suprimentos de semicondutores e ampliar sua autonomia tecnológica.