O índice Ibovespa, principal referência do mercado acionário brasileiro, fechou a sessão desta sexta-feira (18) com uma leve queda de 0,41%, atingindo 185.229,17 pontos. Com esse movimento, o índice acumula uma perda de 1,02% na semana, sendo a primeira semana de retração desde meados de agosto, sinalizando um ajuste nas apostas dos investidores diante do cenário político e econômico nacional e internacional. Durante o pregão, o índice chegou a atingir sua máxima de 185.991,47 pontos e sua mínima de 184.460,91 pontos, enquanto o volume financeiro negociado foi de aproximadamente R$ 26,14 bilhões, influenciado também pelo vencimento de opções sobre ações na bolsa paulista.
No cenário externo, o dólar fechou próximo à estabilidade, encerrando a sessão com uma variação positiva de 0,11%, cotado a R$ 5,1451. Apesar do pequeno aumento na cotação, a moeda norte-americana acumulou alta de 0,39% na semana, enquanto no acumulado do ano sua queda foi de 6,27%. Essa estabilidade ocorreu em um contexto de ausência de gatilhos fortes para as cotações, refletindo uma semana marcada por decisões de política monetária de diversos bancos centrais e por tensões geopolíticas.
Entre as ações de maior peso no Ibovespa, a Vale apresentou uma queda superior a 1%, influenciada por incertezas relativas à demanda global por minério de ferro, aumento dos estoques nos portos e margens de lucro reduzidas no setor siderúrgico. A Petrobras também registrou perdas, refletindo oscilações nos preços do petróleo, que, apesar de uma leve baixa do Brent nesta tarde, permanece acima de US$ 100 por barril, mantendo a atenção do mercado sobre o setor de energia. O banco Itaú Unibanco caiu cerca de 0,3%, acompanhando a alta nos juros futuros com vencimento em janeiro de 2028.
No âmbito político, os investidores acompanharam nesta sexta-feira uma nova pesquisa Datafolha divulgada na véspera, que mostrou a manutenção de uma vantagem numérica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno das eleições presidenciais de outubro. Segundo o levantamento, Lula possui 46% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 44%, com uma margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Brancos e nulos representam 8%, enquanto indecisos somam 1%. Os números mantêm-se iguais ao último levantamento realizado em 11 de setembro, reforçando a estabilidade do cenário eleitoral.
No cenário nacional, o ministro da Fazenda, Dario Durgan, participou de palestra no Fórum CEO Brasil às 18h, após o presidente Lula assinar, há menos de 20 dias do primeiro turno, um decreto que reajusta em 15% os benefícios do programa Bolsa Família a partir de outubro. A medida gerou repercussão negativa nos mercados financeiros, que já estavam atentos às movimentações políticas.
Internacionalmente, a semana foi marcada por decisões de política monetária que impactaram os mercados globais. O Banco do Japão anunciou nesta sexta-feira um aumento na taxa de juros para 1,25%, o nível mais alto em 31 anos, sinalizando uma nova fase de combate à inflação, o que abriu caminho para novos aumentos de juros no país. Essa decisão encerrou uma série de reuniões dos principais bancos centrais, incluindo o Federal Reserve (Fed) dos Estados Unidos e o Banco Central do Brasil, que também ajustaram suas políticas monetárias na semana.
Na quarta-feira (16), o Fed elevou os juros em 0,25 ponto percentual, marcando o primeiro aumento em três anos, levando a taxa de referência para o intervalo entre 3,75% e 4%. No mesmo dia, o Banco Central do Brasil reduziu a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto, para 13,75%, decisão unânime entre seus diretores. Com essas mudanças, setembro foi o mês de maior aumento nas taxas de juros médias entre os países do G10 desde julho de 2023, refletindo um esforço global de combate à inflação, que permanece elevada em várias regiões.
A situação geopolítica também segue tensa, com o conflito no Oriente Médio se aproximando de sete meses, mantendo os preços do petróleo acima de US$ 100 por barril e alimentando preocupações inflacionárias. Essas variáveis continuam a influenciar o cenário econômico global, contribuindo para a volatilidade nos mercados financeiros.