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Mais de 80% dos restaurantes de São Paulo estão impedidos de trabalhar com a plataforma Keeta, aponta levantamento

•Divulgação

Um estudo divulgado nesta quarta-feira (16) pela empresa de delivery Keeta revelou que 85,7% dos restaurantes considerados âncora na cidade de São Paulo — aqueles que possuem redes com cinco ou mais unidades na região metropolitana — estão atualmente bloqueados de operar na plataforma. A restrição, segundo a pesquisa, decorre de cláusulas de banimento ou de exclusividade presentes em contratos firmados entre os estabelecimentos e plataformas de delivery, dificultando a entrada da Keeta nesses estabelecimentos.

A análise foi realizada com base em dados coletados diretamente de 147 redes de restaurantes, abrangendo diversas categorias de culinária. Entre as mais afetadas, destacam-se pizzarias e estabelecimentos de comida saudável, com 92% dos restaurantes dessas categorias impedidos de utilizar a plataforma Keeta. Na sequência, aparecem restaurantes de culinária brasileira, com 88%, e de hambúrgueres, com 86%. Esses números evidenciam o impacto das cláusulas restritivas no setor de alimentação na capital paulista, um dos principais mercados de delivery do Brasil.

A Keeta, controlada pela Meituran, e a 99Food, pertencente à DiDI Global, iniciaram suas operações no Brasil no ano passado, em um momento de expansão do mercado de delivery no país. Desde sua chegada, a Keeta tem buscado romper contratos de exclusividade firmados entre restaurantes e plataformas dominantes, especialmente o iFood, que lidera o segmento. Além disso, entrou com uma liminar junto ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), visando eliminar as “cláusulas de banimento” impostas pela 99Food, que também atua no setor.

No início de maio, o Cade rejeitou um recurso apresentado pela Keeta contra cláusulas específicas da 99Food, mas determinou que o órgão continue investigando o setor de delivery de alimentos, indicando que há elementos que justificam uma análise mais aprofundada sobre práticas restritivas e possíveis impactos concorrenciais. Em resposta à decisão, a 99Food declarou que recebeu com tranquilidade a continuidade da investigação e reafirmou sua confiança na legitimidade de suas práticas comerciais.

Por sua vez, a Keeta manifestou-se afirmando que permanece confiante na atuação das autoridades brasileiras para corrigir as disfunções do mercado de delivery no país. A empresa ressaltou que a ausência de uma decisão definitiva por parte do Cade tem causado prejuízos diários ao setor, especialmente na capacidade de atrair e reter restaurantes, o que, por sua vez, impacta a oferta de opções aos consumidores. A Keeta também destacou que a capacidade de atrair restaurantes é fundamental para a manutenção da competitividade e da diversidade no mercado de delivery.

O iFood, maior plataforma de delivery do Brasil, rebateu as alegações de exclusividade generalizada feitas pela Keeta. Em nota oficial, a empresa afirmou que tais alegações não refletem a realidade de seus contratos, os quais são regulados por um Termo de Compromisso de Cessação (TCC) assinado com o Cade. A plataforma destacou que suas práticas comerciais seguem as normas estabelecidas e que a existência de contratos de exclusividade foi devidamente regulamentada, buscando garantir a concorrência leal no setor.

Este cenário evidencia o conflito entre plataformas de delivery e restaurantes, especialmente aqueles considerados âncora, que representam uma fatia significativa do mercado de alimentação na capital paulista. A disputa por espaço e por contratos de exclusividade reflete uma tendência de intensificação na busca por maior liberdade de operação por parte dos estabelecimentos, enquanto as plataformas buscam consolidar suas posições no mercado altamente competitivo de delivery.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade