As principais bolsas de valores da Europa fecharam o dia desta quarta-feira (16) em alta, recuperando parte das perdas registradas nos dois pregões anteriores. O movimento positivo foi impulsionado pelo recuo nos preços do petróleo, que, por sua vez, foi favorecido por relatos de negociações entre os Houthis, grupo rebelde do Iêmen, e os Estados Unidos. Além disso, o mercado demonstrou maior apetite por risco antes da decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, prevista para os próximos dias.
O alívio nos custos de energia impactou positivamente setores como tecnologia, bancos e setores cíclicos, embora dados econômicos fracos da indústria da zona do euro tenham limitado o avanço das ações. Os principais índices europeus apresentaram ganhos modestos, com destaque para Frankfurt, que registrou uma alta de 0,62%, fechando a 25.558,88 pontos. O índice FTSE 100, de Londres, avançou 0,28%, encerrando a sessão a 10.688,47 pontos. Em Paris, o CAC 40 subiu 0,62%, atingindo 8.140,59 pontos, enquanto Milão, representada pelo FTSE MIB, teve alta de 0,80%, fechando a 51.969,12 pontos. Na Espanha, o Ibex 35 avançou 0,55%, encerrando a 19.663,80 pontos, e em Lisboa, o PSI 20 registrou um aumento de 1,00%, fechando a 9.540,66 pontos. Ressalta-se que esses números são preliminares.
A consultoria Capital Economics destacou que o aumento nos preços do gás natural e da eletricidade deve prolongar o momento de fraqueza da indústria na Europa. Nesse contexto, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reforçou a necessidade de fortalecer a competitividade da zona do euro. Ela anunciou planos do bloco para ampliar os estoques de matérias-primas críticas, estimular o desenvolvimento de inteligência artificial (IA) e promover o estreitamento das relações comerciais com o Canadá, além de sugerir uma aproximação com o Reino Unido e outros países que compartilhem da mesma visão econômica da União Europeia.
No Reino Unido, o índice de preços ao consumidor (CPI) acelerou para 3,1% em agosto, indicando uma inflação mais elevada. Apesar disso, o banco local, o Banco da Inglaterra (BoE), segundo análise do banco de investimentos ING, entende que essa alta de preços está concentrada em energia e, portanto, não há necessidade de uma postura mais rígida na política de juros no momento. A decisão do BoE sobre os juros será anunciada na quinta-feira, dia seguinte ao fechamento das bolsas.
No mercado financeiro britânico, ações de empresas como Barratt Redrow tiveram forte valorização, com alta de 11% após divulgação de resultados positivos. Mineradoras também registraram ganhos, impulsionadas pela alta nos preços dos metais, com Anglo American subindo 1,6% e Rio Tinto, 1%. Na Alemanha, a construtora Hochtief avançou aproximadamente 2,4%, em movimento de recuperação de papéis ligados ao setor de tecnologia e inteligência artificial.
No segmento de tecnologia, o índice Stoxx 600 avançou 0,6%, refletindo o bom desempenho de algumas empresas. Entre elas, a fabricante de semicondutores STMicroelectronics teve alta de 2,2% em Paris, enquanto a holandesa ASML subiu 1,3% em Amsterdã. Por outro lado, a francesa Capgemini apresentou desempenho negativo, caindo 2,6%. Em Milão, a Prysmian destacou-se com uma alta de 3,7%, consolidando seu movimento de valorização no mercado.
Esses movimentos refletem o cenário de otimismo moderado na Europa, influenciado por fatores geopolíticos, econômicos e expectativas de política monetária, enquanto o mercado global aguarda a próxima decisão do Fed, que pode impactar as tendências de risco e os fluxos de capitais internacionais.