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Juros futuros sobem impulsionados por alta nos rendimentos dos Treasuries e petróleo; cenário político e econômico interno também influencia o mercado

•Pexels

As taxas de juros futuros no Brasil encerraram a terça-feira (15) em alta, sustentadas pelo aumento nos rendimentos dos títulos públicos norte-americanos e pela valorização do petróleo Brent, que atingiu valores superiores a US$108 por barril. No cenário doméstico, os investidores permaneceram atentos às movimentações políticas, especialmente às discussões no Supremo Tribunal Federal (STF) e às implicações dessas ações na disputa presidencial.

Na sessão, a taxa do Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2028 fechou em 13,67%, com uma alta de 4 pontos-base em relação ao ajuste de 13,629% registrado na sessão anterior. Na ponta mais longa da curva de juros, o DI para janeiro de 2035 atingiu 14,375%, representando um aumento de 10 pontos-base em comparação aos 14,277% do dia anterior. Esses movimentos refletem o impacto do cenário externo e interno na formação das expectativas do mercado financeiro.

O avanço do petróleo Brent foi um dos fatores que mais influenciaram esse movimento, especialmente após notícias de suspensão de carregamentos no Mar Vermelho e de interrupções em operações de campos de petróleo na Líbia. Essas notícias reforçaram as preocupações com pressões inflacionárias globais, uma vez que o petróleo é um componente crucial na formação de preços e custos de energia em diversos países.

Nos Estados Unidos, essa preocupação se traduziu na elevação dos rendimentos dos títulos do Tesouro, com o rendimento do Treasury de dez anos ultrapassando a marca de 5%. Investidores passaram a apostar na possibilidade de o Federal Reserve realizar uma série de aumentos de juros para conter a inflação, o que, por sua vez, elevou as taxas dos DIs no Brasil, refletindo a correlação entre os mercados financeiros globais.

Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, destacou que a abertura da curva de juros no Brasil e nos Estados Unidos está relacionada aos riscos inflacionários, especialmente com o petróleo acima de US$100 por barril. Segundo ele, a taxa do Treasury de dez anos já supera 5%, e essa dinâmica influencia diretamente as expectativas de juros futuros no Brasil.

Internamente, o mercado também acompanhou de perto a crise no STF, que discutia nesta terça-feira a possível abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes no caso conhecido como “Master”. Moraes negou irregularidades e alegou ser vítima de uma investigação ilegal motivada por interesses políticos e eleitorais, além de alegar vingança, por ter sido relator do processo que investigou a tentativa de golpe do ex-presidente Jair Bolsonaro.

As notícias relacionadas à crise no STF, sobretudo as alegações de ligação de Moraes com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do caso Master, alimentaram especulações de que tais fatos poderiam favorecer a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa presidencial. O cenário eleitoral, que vinha sendo favorável ao fortalecimento de Flávio, refletiu-se na alta do Ibovespa e na redução de prêmios na curva de juros, indicando uma expectativa de possível ajuste fiscal com eventual mudança de governo.

Contudo, uma pesquisa divulgada nesta terça-feira pelo instituto CNT/MDA trouxe um cenário diferente, ao mostrar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente de Flávio na simulação de segundo turno, com 47,3% contra 40%. Como a margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, Lula lidera a disputa de forma estatisticamente significativa, contrariando outros levantamentos recentes que indicavam empate técnico.

No aspecto econômico, o IBGE informou que as vendas no varejo recuaram 0,8% em julho na comparação com junho, um resultado pior do que os 0,2% de queda previstos por economistas consultados pela Reuters. Em relação ao mesmo mês do ano passado, houve alta de 1,2%, menor que os 2,15% esperados, reforçando sinais de desaceleração da atividade econômica. Esses dados alimentam a expectativa de que o Banco Central pode reduzir a taxa Selic em 25 pontos-base na reunião de quarta-feira, com possibilidade de nova redução em novembro, considerando o atual patamar de 14%.

Antes dessa decisão, o Federal Reserve anunciará sua nova taxa de juros na tarde de quarta-feira, influenciando ainda mais o cenário global. Às 16h31, o rendimento do Treasury de dez anos, referência para decisões de investimento ao redor do mundo, subia 3 pontos-base, atingindo 4,996%, refletindo a percepção de riscos inflacionários e de política monetária nos Estados Unidos.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade