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Mercado antecipa aumento de juros do Federal Reserve após três anos de alta global de preços

•Ilustração gerada por IA

Nesta quarta-feira, o mercado financeiro acompanha com expectativa a decisão do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, que deve elevar sua taxa de juros pela primeira vez em três anos. A reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), iniciada nesta terça-feira (15), é marcada por pressões inflacionárias globais, sobretudo decorrentes do aumento dos preços do petróleo, impulsionado pelo conflito entre Estados Unidos, aliados e o Irã.

Há cerca de um mês, o cenário era diferente. Aproximadamente 30% do mercado acreditava que o Fed elevaria sua taxa referencial em 0,25 ponto percentual em agosto, enquanto mais de 60% apostavam na manutenção dos juros entre 3,5% e 3,75%, conforme dados da ferramenta Fed Watch do CME Group. Uma semana antes, o cenário já apresentava maior inclinação para uma alta, com 59,4% das apostas, contra 40,6% de estabilidade. Na segunda-feira (14), esse otimismo aumentou ainda mais, com 92,4% dos operadores prevendo uma elevação dos juros.

Os números refletem a pressão inflacionária que se intensifica na economia americana. Em julho, o índice de despesas de consumo pessoal (PCE), considerado o indicador preferido pelo Fed para monitorar a inflação, apresentou alta de 3,7% em 12 meses, mantendo-se estável em relação ao mês anterior, mas acelerando quase 1 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano anterior. Tal cenário reforça a expectativa de uma resposta monetária mais restritiva por parte do banco central.

A postura do Fed é influenciada por declarações recentes do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, que sinalizou a intenção de reduzir a inflação para a meta de 2%. Segundo ele, a dúvida sobre a capacidade do banco central de cumprir essa meta, entregando os aumentos de juros necessários, gera impacto nos rendimentos dos títulos públicos e na credibilidade da política monetária. Economistas como Andressa Durão, do ASA, destacam que juros mais elevados tendem a reduzir os preços dos títulos, pressionando os mercados de bonds e ações, além de tornar o crédito mais caro, o que pode desacelerar o consumo e o investimento na economia.

A influência da guerra dos Estados Unidos contra o Irã permanece evidente na economia norte-americana. A dívida pública federal atingiu um recorde de mais de US$ 40 trilhões em agosto, crescendo cerca de US$ 7 bilhões por dia e representando mais de US$ 117 mil por habitante. Além disso, a crise internacional elevou os preços do petróleo, levando os combustíveis a níveis recordes e impactando o bolso do consumidor. O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de agosto mostrou aceleração, especialmente após a recuperação do preço da gasolina, que havia caído em dois meses consecutivos.

Rodrigo Marcatti, CEO da Veedha Investimentos, reforça que a inflação brasileira tem se mantido acima da meta há aproximadamente cinco anos e meio, pressionada por esses fatores externos e internos. Diante desse cenário de incerteza, a curva de juros dos títulos do Tesouro dos EUA subiu, com os títulos de 10 anos encerrando a segunda-feira a 4,99%, atingindo picos de 5% ao longo do pregão, níveis não vistos desde 14 de outubro de 2023. Essa elevação indica uma expectativa de queda na inflação, levando os investidores a exigirem prêmios maiores para a remuneração dos títulos, fortalecendo o dólar e atraindo capital estrangeiro para os ativos norte-americanos.

O aumento na rentabilidade dos títulos do Tesouro também torna os investimentos nos Estados Unidos mais atrativos, provocando saída de recursos de mercados emergentes. Segundo Marcatti, esse movimento favorece a valorização do dólar, dificultando o fluxo de capitais para países em desenvolvimento. Além disso, a curva de juros serve de referência para o custo do crédito, influenciando desde financiamentos imobiliários até empréstimos corporativos. Quando ela sobe, os custos de financiamento aumentam, o que tende a desacelerar o consumo e o investimento, além de pressionar os preços das ações na Bolsa de Valores.

O mercado financeiro também observa com atenção o possível “dissenso por manutenção” na decisão do Fed, influenciado não apenas pelo cenário inflacionário, mas também pelos discursos mais firmes de integrantes do banco central. Kevin Warsh, por exemplo, reforçou, durante o simpósio de Jackson Hole, que o Fed pode precisar de mais uma reunião antes de alterar as taxas de juros, caso os sinais de desinflação se confirmem. Em contrapartida, o diretor Christopher Waller indicou que uma nova reunião pode ser necessária, mas que a alta dos juros ainda é uma possibilidade, dependendo dos dados de agosto.

A postura do presidente do Fed, nomeado por Donald Trump, mantém-se firme, apesar das pressões políticas por juros mais baixos. Warsh afirmou que o banco central “terá trabalho a fazer” para garantir que a inflação retorne à meta de 2%. A expectativa do mercado é de que a decisão de elevar os juros seja praticamente certa nesta quarta-feira, refletindo o cenário de inflação persistente e a postura mais dura adotada pelo banco central.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade