O mercado de fundos negociados em bolsa (ETFs) no Brasil apresenta um crescimento modesto, apesar de sinais de avanço que indicam potencial de expansão. Segundo Bruno Barino, country manager da BlackRock no país, os ETFs representam atualmente cerca de 1% do total da indústria de fundos brasileira, um percentual ainda distante do que ocorre em mercados mais maduros, como os Estados Unidos, onde mais de 50% dos ETFs são comercializados por meio de carteiras modelo.
A BlackRock, maior gestora de investimentos do mundo com mais de US$ 15 trilhões sob gestão, atua no Brasil por meio de três principais segmentos: gestão de investimentos, tecnologia e consultoria. No país, a empresa administra aproximadamente R$ 30 bilhões em ativos locais, concentrados principalmente em ETFs de ações, como o BOVA11, que replica o índice Ibovespa, e o Small. A estratégia de negócios da BlackRock no Brasil é predominantemente B2B, ou seja, seus produtos chegam ao investidor final por meio de bancos, seguradoras, fundos de pensão, asset managers e escritórios de investimento, sem contato direto com o investidor pessoa física.
Durante entrevista ao programa “Café com o Investidor”, uma parceria entre NeoFeed e CNN Brasil, Barino destacou que, embora os ETFs tenham demorado mais a se consolidar no Brasil do que em outros países, sua trajetória de crescimento tem se acelerado nos últimos dois anos. Segundo ele, o Brasil ainda está em fase inicial nesse processo, e há um longo caminho a percorrer para alcançar o estágio de maturidade de mercados mais desenvolvidos.
Barino ressaltou que a expansão dos ETFs no Brasil está relacionada às suas vantagens, como maior transparência, acessibilidade e custos reduzidos. Ele acredita que, a longo prazo, esses fundos representam uma estratégia mais eficiente para a construção de carteiras de investimento, promovendo uma economia de recursos ao investidor e possibilitando o crescimento do patrimônio ao longo do tempo, devido ao efeito de juros compostos.
Além disso, o executivo destacou que, nos Estados Unidos, mais da metade dos ETFs são vendidos por meio de carteiras modelo, uma tendência que ainda está em fase inicial no Brasil. A BlackRock planeja lançar até o final do ano uma linha de ETFs de renda fixa, uma iniciativa considerada fundamental para viabilizar a adoção de model portfolios no mercado brasileiro. Para Barino, a renda fixa continuará sendo uma base importante na composição de carteiras, dado o perfil econômico do país, que ainda mantém forte predomínio por esse tipo de ativo.
Outro ponto destacado por ele é a mudança de paradigma no mercado de investimentos brasileiro, que vem transitando de um modelo baseado em comissões para um sistema de taxas fixas, conhecido como fee-based. Essa transição, embora complexa, é vista por Barino como inevitável e como um fator que deve impulsionar uma nova fase de crescimento dos ETFs no Brasil, ao tornar os processos mais sustentáveis para gestores e assessores, além de proporcionar maior eficiência na relação com o cliente.
A expectativa da BlackRock é de que essas mudanças, aliadas ao aumento na oferta de produtos e à maior adoção de estratégias de gestão passiva, possam acelerar a evolução do mercado de ETFs no Brasil, contribuindo para uma maior diversificação e democratização do acesso aos investimentos.