Os Correios solicitaram oficialmente à União a garantia necessária para a contratação de um novo empréstimo de R$ 7 bilhões, como parte do plano de reestruturação financeira que a estatal vem implementando desde 2025. A operação, que conta com o apoio de um grupo de quatro bancos privados, prevê uma taxa de juros equivalente a 114,26% do CDI, com um prazo de pagamento de 15 anos e um período de três anos de carência antes do início das amortizações.
Este financiamento representa uma etapa importante na estratégia da empresa para recompor seu caixa e equilibrar suas finanças, que vêm enfrentando dificuldades há anos. A iniciativa faz parte de um plano mais amplo de recuperação financeira, inicialmente previsto para captar até R$ 20 bilhões em crédito. Até o final de 2025, os Correios já haviam obtido um empréstimo de R$ 12 bilhões, garantido pela União e dividido entre cinco instituições financeiras. Desse montante, R$ 10 bilhões foram liberados ainda em dezembro daquele ano, enquanto os R$ 2 bilhões restantes ficaram para serem desembolsados em 2026. Parte desses recursos foi utilizada para pagamento de salários e quitação de dívidas com fornecedores.
As negociações para o novo empréstimo começaram meses atrás, com o presidente da estatal, Emmanoel Rondon, indicando, em abril, que as conversas com bancos ainda estavam em andamento e que a empresa poderia não precisar utilizar toda a linha de crédito autorizada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que era de até R$ 8 bilhões. Segundo Rondon, medidas adotadas na reestruturação haviam aumentado a liquidez do caixa da companhia, o que reduzia a necessidade de captação adicional. Em maio, os Correios já estavam em tratativas para captar aproximadamente R$ 7 bilhões, valor que agora foi formalizado no pedido de garantia à União, mantendo o montante negociado desde então.
O empréstimo faz parte de um pacote de ações planejadas para os anos de 2025 a 2027, cujo objetivo é estabilizar as finanças da estatal. Além da captação de recursos, o plano inclui medidas de redução de despesas, aumento de receitas e venda de ativos, como imóveis. Entre as projeções do programa estão uma redução de R$ 4,2 bilhões anuais nas despesas, um incremento de R$ 1,7 bilhão nas receitas e a venda de ativos imobiliários que deve gerar R$ 1,5 bilhão.
As ações de reestruturação também envolvem programas de demissão voluntária, renegociação de contratos e passivos, mudanças no plano de saúde dos funcionários e fechamento de algumas unidades de atendimento. Essas medidas são necessárias diante do cenário de resultados negativos consecutivos, com os Correios encerrando 2025 com um prejuízo de R$ 8,5 bilhões, o quarto resultado negativo anual consecutivo desde 2021.
Além dos empréstimos, o governo reservou R$ 6 bilhões no Orçamento de 2027 para um aporte direto na estatal, uma condição prevista no contrato do financiamento de R$ 12 bilhões firmado ao final de 2025. Contudo, até o final de agosto, o governo havia realizado apenas o desembolso da garantia do empréstimo, sem liberar recursos adicionais do Tesouro para reforçar o caixa dos Correios.