As taxas de juros futuras no mercado brasileiro encerraram a sessão de quinta-feira, 10 de novembro, em queda, mesmo após uma manhã de forte alta nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos (Treasuries) e na valorização do petróleo Brent, que voltou a ser negociado acima de US$ 107 o barril. O movimento de baixa nas taxas brasileiras foi influenciado por uma combinação de fatores internos e externos, incluindo uma pesquisa eleitoral que apontou avanço do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa presidencial, o que gerou expectativas de mudança no cenário político e econômico do país.
Durante a manhã, as taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) no Brasil chegaram a subir em sintonia com o mercado internacional, refletindo o aumento nos rendimentos dos Treasuries, que atingiram seus maiores níveis em semanas. Contudo, ao longo do dia, essas taxas passaram a recuar, sinalizando uma mudança de percepção dos investidores diante de novos dados de pesquisa eleitoral. No final da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2028 fechou em 13,61%, uma redução de 2 pontos-base em relação ao ajuste de 13,63% registrado na sessão anterior. Já na ponta mais longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 caiu para 14,13%, uma baixa de 8 pontos-base, após ter atingido 14,213%.
A reviravolta ocorreu após a divulgação de uma pesquisa realizada pelo AtlasIntel em parceria com a Bloomberg, às 14h30, que mostrou Flávio Bolsonaro com 46,4% das intenções de voto em um eventual segundo turno, contra 46,2% de Luiz Inácio Lula da Silva. Apesar de os percentuais indicarem um empate técnico, a margem de erro de 1 ponto percentual coloca ambos em uma posição de relativa igualdade. Ainda assim, o fato de Flávio estar numericamente à frente de Lula foi bem recebido pelo mercado, especialmente considerando a desconfiança que ainda paira sobre a reeleição do atual presidente, vista por muitos investidores como um fator que pode dificultar o controle das contas públicas e a manutenção da inflação.
Este cenário favoreceu a redução do dólar e das taxas dos DIs, além de impulsionar as apostas de investidores em plataformas de previsão, como o Polymarket, sediada nos Estados Unidos. Nesse mercado, Flávio Bolsonaro passou a liderar as apostas de vitória, com 53% contra 44% para Lula, reforçando a percepção de uma disputa mais equilibrada.
Paralelamente ao quadro eleitoral, o mercado também acompanhou as tensões no Supremo Tribunal Federal (STF). Na véspera, o ministro Edson Fachin determinou a cassação de decisões liminares de colegas que discutiam a permanência do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, no cargo, além de retirar o ministro Alexandre de Moraes da relatoria do inquérito das fake news. Essas decisões contribuíram para a instabilidade política, influenciando o humor dos investidores.
No cenário internacional, a situação se agravou com o aumento da tensão no Oriente Médio. Os rebeldes houthis, apoiados pelo Irã, assumiram o controle do porto de Mocha, no Iêmen, uma importante rota de tráfego no Mar Vermelho, elevando o risco de interrupções no transporte de petróleo. Além disso, o estreito de Ormuz permaneceu sob restrições devido a ataques recentes a petroleiros na região, aumentando as preocupações com o abastecimento global.
O rendimento do Treasury de dez anos, referência para decisões de investimento globais, subiu 12 pontos-base, atingindo 4,957%. O petróleo Brent, por sua vez, avançou 6,45%, cotado a US$ 107,74 por barril, refletindo as tensões geopolíticas e o temor de inflação nos mercados internacionais. Nesse contexto, o Banco Central Europeu anunciou nesta quinta-feira a segunda alta na sua taxa de juros neste ano, na tentativa de conter a alta de preços na zona do euro.
No Brasil, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o volume de serviços no país permaneceu estável em julho ante o mês anterior, com aumento de 0,9% na comparação com julho de 2022. Os dados indicam uma desaceleração da atividade econômica, corroborada por uma pesquisa da Reuters que apontou expectativas de crescimento de 0,2% na margem mensal e de 1,1% na anual, ambos abaixo das projeções anteriores, sinalizando um ritmo de recuperação mais lento.
Este conjunto de fatores demonstra um cenário de volatilidade tanto no mercado doméstico quanto no internacional, com movimentos que refletem as incertezas políticas, econômicas e geopolíticas que dominam o momento.