O mercado brasileiro de fusões e aquisições (M&A) apresentou movimento significativo até o mês de agosto de 2026, totalizando 834 transações e uma movimentação financeira de R$ 210,7 bilhões, conforme dados do relatório do TTR Data. Apesar de indicar uma redução no número de operações em comparação ao mesmo período do ano anterior, houve um aumento de 11% no volume de capital mobilizado, evidenciando que as transações que ocorreram envolveram valores mais expressivos. Essa dinâmica reflete um cenário de recuperação e consolidação no mercado de fusões e aquisições no Brasil, mesmo diante de um ambiente de maior cautela por parte dos investidores.
O levantamento aponta que, até agosto, 43% das transações tiveram seus valores divulgados, enquanto 77% das operações já haviam sido concluídas. No mês de agosto, foram registradas 57 transações, entre anunciadas e finalizadas, que somaram R$ 12,6 bilhões, demonstrando uma atividade contínua mesmo em um período de menor volume de negócios.
No que diz respeito à distribuição setorial, o setor de Internet, Software e Serviços de Tecnologia (IT Services) liderou em número de operações, com 140 transações. Em seguida, aparece o segmento de Real Estate, com 131 operações, indicando forte movimentação nesse setor. Quanto às operações internacionais, ou cross-border, empresas brasileiras realizaram mais negócios com os Estados Unidos, totalizando 11 transações, e na Colômbia, com sete operações, refletindo a busca por oportunidades em mercados internacionais próximos.
No cenário de investimento estrangeiro, os Estados Unidos continuam sendo o principal país investidor no Brasil, com 87 aquisições registradas. Contudo, o relatório aponta que houve uma queda de 23% nas aquisições de empresas brasileiras por grupos americanos, indicando uma possível retração na entrada de capital externo ou uma mudança na estratégia de investimentos internacionais.
No segmento de private equity, o relatório contabilizou 56 transações, que somaram R$ 34,5 bilhões, representando uma redução de 13% no volume financeiro em relação ao período anterior. Já em venture capital, foram realizadas 134 rodadas de investimento, totalizando R$ 8,0 bilhões, o que corresponde a uma queda de 46% no número de operações, sinalizando um desaquecimento nesse segmento de risco mais elevado. Em asset acquisitions, ou aquisições de ativos, ocorreram 205 transações, com um volume de R$ 37,9 bilhões, uma redução de 8% no valor investido.
Dentre as operações de destaque em agosto, o relatório destacou a venda da CPC, realizada pela Motiva para a ASUR, avaliada em R$ 5,1 bilhões, como uma das transações mais relevantes do mês.
No âmbito de assessoria financeira, o BTG Pactual liderou o ranking, com 31 transações e um volume de R$ 54,3 bilhões, consolidando sua posição como principal banco de investimento no mercado de fusões e aquisições. No setor jurídico, o escritório Mattos Filho destacou-se como o mais ativo, com 65 operações e um volume de R$ 64,0 bilhões, segundo o levantamento.
Esses dados refletem um mercado de fusões e aquisições que, apesar de apresentar sinais de retração em alguns segmentos, mantém uma atividade expressiva, impulsionada por operações de grande porte e pelo interesse de investidores nacionais e estrangeiros em setores estratégicos da economia brasileira.