Desde o início de 2023, o estado de São Paulo contabilizou oficialmente 58.683 casos de dengue, segundo informações divulgadas pelas autoridades de saúde. Além do elevado número de infecções, o estado confirmou 42 óbitos relacionados à doença, embora esse total possa aumentar, uma vez que há 30 mortes sob investigação em andamento. Esses números evidenciam a persistência da arbovirose na região e reforçam a necessidade de ações contínuas de controle e prevenção.
De acordo com dados da Secretaria da Saúde de São Paulo, a classificação dos casos mostra que 57.402 foram considerados de dengue comum, enquanto 1.180 apresentaram sinais de alarme e 101 evoluíram para formas graves da doença. Os sintomas de dengue com sinais de alarme incluem vômito, dor abdominal intensa, sangramento de mucosas e outros sinais que indicam agravamento do quadro clínico. Já os casos de dengue grave são caracterizados por choque, desconforto respiratório, sangramento severo ou comprometimento de órgãos, podendo levar a complicações mais sérias.
O levantamento também aponta que, até o momento, mais de 297 mil suspeitas de dengue foram descartadas após exames ou avaliações clínicas, enquanto 7.256 permanecem em análise, aguardando resultados laboratoriais ou critérios clínico-epidemiológicos para confirmação ou descarte. Esses números refletem a intensidade do monitoramento epidemiológico realizado pelas equipes de saúde na tentativa de conter a propagação do vírus.
Taubaté, município localizado no interior do estado, destaca-se como a cidade com o maior número de óbitos relacionados à dengue. Foram confirmadas sete mortes na cidade, com faixas etárias variando de 10 a 79 anos, além de quatro óbitos de pessoas com mais de 80 anos. A gravidade dos casos na região reforça a importância de ações específicas de vigilância e controle nesses locais mais afetados.
Sobre as medidas de combate à arbovirose, a Secretaria da Saúde de São Paulo informou que mantém um acompanhamento contínuo das ações de controle, com atenção especial ao período de maior transmissão, que ocorre entre outubro e maio. Nesse contexto, foi destacado o lançamento, no mês passado, do Plano Estadual de Preparação e Resposta em Saúde para o Fenômeno El Niño, uma estratégia que visa adaptar as ações estaduais às possíveis mudanças climáticas que podem elevar o número de casos de dengue.
O plano inclui a identificação de regiões prioritárias, o fortalecimento das salas de situação, além de oferecer suporte aos municípios na organização de suas vigilâncias e redes de atendimento. A Secretaria também realiza verificações constantes nos estoques de medicamentos e insumos, além de estimular os municípios a atualizarem seus planos locais de contingência para emergências relacionadas à doença.
Segundo a pasta, a capacidade de atendimento hospitalar poderá ser ampliada temporariamente, conforme a evolução do cenário epidemiológico. Desde o início de 2024, o Governo de São Paulo repassou mais de R$ 1,5 bilhão aos 645 municípios do estado por meio do Instituto de Gestão Estratégica em Saúde (IGSUS Paulista), com o objetivo de fortalecer a atenção primária à saúde. Entre os critérios considerados nesse investimento está o enfrentamento às arboviroses urbanas, que continuam representando um desafio relevante para a saúde pública paulista.