As principais bolsas de valores da Europa fecharam o dia desta quinta-feira, 3 de novembro, com ganhos na maioria dos mercados, refletindo um alívio causado pela redução nos juros globais e pelo aumento do apetite por risco entre os investidores. Contudo, Lisboa foi a única exceção, registrando uma leve queda, enquanto as tensões no Oriente Médio continuam a limitar o potencial de valorização dos ativos na região.
No cenário europeu, os índices de referência apresentaram desempenhos positivos, embora com variações distintas. O FTSE 100, principal índice de Londres, fechou com alta de 0,70%, atingindo 10.831,52 pontos. Em Frankfurt, o DAX avançou 0,65%, encerrando o pregão em 26.007,57 pontos. Na França, o CAC 40 registrou uma modesta alta de 0,07%, fechando aos 8.286,40 pontos. Já em Milão, o FTSE MIB subiu 0,88%, completando o dia em 52.245,47 pontos. Na Espanha, o Ibex 35 teve uma valorização de 1,11%, fechando a 19.998,20 pontos. Por fim, Lisboa apresentou uma ligeira retração de 0,04% no PSI 20, que terminou o dia em 9.401,50 pontos. Vale destacar que esses números são preliminares.
Na agenda econômica, destaque para o índice de preços ao produtor (PPI) da zona do euro, que apresentou alta anual de 5,8% em agosto, indicando uma inflação persistente no bloco. Além disso, os dados de PMI de serviços mostraram sinais de expansão tanto na União Europeia quanto no Reino Unido, enquanto a Alemanha apresentou contração nesse setor, refletindo um cenário de recuperação desigual na região.
No mercado de commodities, o Goldman Sachs avaliou que a adaptação do transporte marítimo ao bloqueio do Estreito de Ormuz tende a limitar novas altas no preço do petróleo, mesmo diante de interrupções prolongadas na região. Por outro lado, analistas da Man Group, como Kristina Hooper, destacaram que os gastos em defesa, indústria e infraestrutura continuam a oferecer suporte às ações europeias, reforçando a resistência do mercado.
Entre as ações que impulsionaram as bolsas, destaque para as companhias de telecomunicações em Londres, como Airtel Africa, que subiu 2,3%, e Vodafone, com alta de 2,6%. Em Frankfurt, a Deutsche Telekom avançou 1,4% após a notícia de que a Elliott Investment Management adquiriu uma participação na empresa, o que gerou otimismo entre os investidores. Ainda na Alemanha, montadoras como Volkswagen e BMW tiveram altas de 3,1% e 1,8%, respectivamente, refletindo a expectativa de recuperação do setor automotivo.
Na França, o setor de luxo foi o principal ponto negativo, penalizado por preocupações relacionadas à demanda na China e no Oriente Médio. Hermès caiu cerca de 3%, enquanto LVMH recuou 2,1%, atingindo níveis próximos às mínimas de quase seis anos. Kering também sofreu uma queda de 2%, evidenciando o impacto das tensões geopolíticas sobre as empresas de alta costura.
Na Espanha, a Acerinox destacou-se positivamente, com alta de 3,2%, reforçando o otimismo com o desempenho de setores industriais no país. Especialistas do JPMorgan alertam, no entanto, para a persistente fraqueza nas vendas chinesas, que deve continuar influenciando negativamente o mercado global, incluindo a Europa, ao longo do restante do ano e possivelmente até 2027.
Este cenário reflete um ambiente de maior otimismo moderado, impulsionado por sinais de alívio nos juros globais e por expectativas de estabilização econômica, embora as tensões geopolíticas e as incertezas comerciais continuem a exercer influência sobre os mercados.