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União Europeia suspende compras de carne bovina brasileira devido a questões sanitárias relacionadas ao uso de antimicrobianos

A partir desta quinta-feira, 3 de novembro, o setor de carne bovina brasileira enfrenta a suspensão das exportações para a União Europeia, medida motivada por preocupações relacionadas ao uso de remédios antimicrobianos na produção animal. A decisão do bloco europeu foi comunicada oficialmente após o Brasil ser retirado da lista de países considerados aptos a atender às exigências sanitárias do mercado europeu, especialmente no que diz respeito ao uso de substâncias que aceleram o crescimento dos animais e aumentam a produtividade, como alguns antimicrobianos, além do veto ao uso de antibióticos para tratamento de infecções humanas.

O Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil, em conjunto com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), tem atuado para reverter a decisão e garantir a retomada das exportações. A ABIEC informou que vem colaborando com as autoridades brasileiras na negociação com as autoridades europeias, buscando esclarecer e demonstrar que o sistema de fiscalização sanitária do Brasil é rigoroso e compatível com os padrões internacionais. A retirada do país da lista de países aptos ocorreu em junho deste ano, após a União Europeia justificar sua decisão com base na legislação local, que proíbe o uso de determinadas substâncias antimicrobianas que, no Brasil, ainda são utilizadas na produção.

A União Europeia justificou sua decisão ao afirmar que levou em conta as restrições existentes na legislação europeia, que proíbe o uso de antimicrobianos que possam acelerar o crescimento ou aumentar a produtividade dos animais, além de vetar o uso de antibióticos utilizados no tratamento de infecções humanas. Essa postura gerou preocupação no setor produtivo brasileiro, que argumenta que a suspensão desconsidera a eficácia do sistema oficial de defesa e inspeção sanitária do Brasil, além de causar prejuízos imediatos às cadeias produtivas nacionais e distorções no acesso ao mercado europeu.

Em resposta às medidas, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) enviou ofícios ao governo e ao Congresso Nacional alertando para os impactos econômicos da decisão europeia. A entidade destacou que a suspensão prejudica o setor e reforçou que a medida não leva em consideração as garantias e mecanismos de fiscalização que o Brasil possui, além de gerar uma distorção injustificada no comércio internacional de carne bovina.

Durante as negociações, o Ministério da Agricultura afirmou, em julho, que o Brasil busca atender integralmente às exigências dos mercados importadores, sem a intenção de flexibilizar as normas sanitárias europeias. O órgão destacou que o país exporta produtos de origem animal para mais de 150 países, demonstrando sua capacidade de cumprir padrões internacionais de segurança e qualidade. Como parte do esforço de reavaliação, o ministério apresentou à Comissão Europeia documentação técnica detalhada, que comprova os mecanismos oficiais de fiscalização e as garantias do governo brasileiro em todas as etapas da cadeia produtiva.

Apesar da suspensão, a ABIEC afirmou que a carne bovina brasileira continua sendo comercializada em outros mercados internacionais. Contudo, a entidade ressaltou que a substituição por outros compradores europeus não é automática, uma vez que diferentes países demandam cortes e produtos específicos. Assim, a associação reforça a importância de negociações para a reinclusão do Brasil na lista de países autorizados a exportar carne bovina para a União Europeia, considerando o peso do mercado europeu para o setor brasileiro.

A situação evidencia a complexidade das negociações sanitárias internacionais e a necessidade de alinhamento técnico e diplomático entre o Brasil e os principais mercados de exportação. A expectativa é de que o governo continue buscando alternativas para garantir a retomada das exportações e minimizar os impactos econômicos para o setor produtivo nacional.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade