Os preços do petróleo registraram alta nesta terça-feira, 1º de novembro, após dois superpetroleiros sauditas serem atingidos por projéteis desconhecidos enquanto transitavam pelo Estreito de Ormuz na noite de segunda-feira, 31 de outubro. Os incidentes, que ocorreram em um momento de crescente tensão na região, tiveram impacto imediato no mercado internacional de energia, elevando os preços do Brent e do WTI, principais referências globais.
De acordo com dados das empresas de inteligência marítima Marisks e Kpler, os ataques ocorreram quase simultaneamente, indicando uma possível escalada no ambiente de ameaças na área do corredor de Omã. A Marisks destacou que esses episódios representam uma nova fase de hostilidades na região, que é crucial para o transporte mundial de petróleo.
Por volta das 8h54 (horário de Brasília), o barril do Brent, referência do petróleo mundial, subia 1,48%, sendo negociado a US$ 91,84. Já o WTI, petróleo produzido nos Estados Unidos, apresentava um aumento de 2,156%, cotado a US$ 87,60. Esses movimentos refletem a preocupação do mercado com a estabilidade na região, que responde por uma significativa parcela das exportações globais de energia.
Segundo informações da Kpler, cada um dos petroleiros atingidos carregava aproximadamente 2 milhões de barris de petróleo bruto saudita, provenientes do terminal de Juaymah, uma das principais bases de exportação do país. A Saudi Aramco, maior companhia petrolífera da Arábia Saudita, retomou os carregamentos e as vendas de petróleo do interior do Estreito de Ormuz em agosto, após interrupções anteriores.
A região do Golfo Pérsico tem sido palco de tensões crescentes, com bloqueios impostos por Irã e Estados Unidos ao Estreito de Ormuz, que reduziram drasticamente as exportações de energia da área. Ambos os lados buscam afirmar sua influência sobre a passagem marítima, que antes transportava cerca de 20% do petróleo mundial. Esforços diplomáticos liderados por Catar e Omã para negociar a reabertura do estreito ainda não tiveram sucesso, agravando o cenário de instabilidade.
A situação se agravou ainda mais após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que ameaçou realizar novos ataques contra o Irã, após incidentes que marcaram as primeiras trocas de tiros na região desde o final de julho.
Nos ataques desta segunda-feira, o superpetroleiro Sidr, de bandeira saudita, foi atingido por projéteis desconhecidos a aproximadamente 16,6 milhas náuticas ao nordeste de Khasab, em Omã, conforme informou a Marisks. Minutos depois, o VLCC “Senegal Prosperity”, com bandeira da Libéria, também foi atingido por três projéteis a cerca de 17 milhas náuticas de Khasab. Todos os tripulantes estavam em segurança, segundo a empresa.
A British Maritime Trade Operations relatou que os projéteis atingiram um petroleiro na mesma área enquanto ele deixava o Estreito de Ormuz, sugerindo que os incidentes podem estar relacionados. As operadoras Bahri, responsável pelo “Sidr”, e Sinokor, que administra o “Senegal Prosperity”, ainda não emitiram comentários oficiais sobre os ataques.
Na manhã desta terça-feira, a mídia iraniana informou que um petroleiro saudita teria sido interceptado enquanto navegava pelo corredor sul do Estreito de Ormuz, aumentando o clima de tensão na região.
Esses acontecimentos reforçam a instabilidade na área, que é vital para o abastecimento global de petróleo, e elevam o risco de interrupções no mercado internacional de energia, diante de um cenário de confrontos e dificuldades diplomáticas que continuam sem solução definitiva.