A Nvidia, fabricante líder de chips e tecnologia de inteligência artificial, registrou uma valorização de aproximadamente US$ 443 bilhões em seu valor de mercado em apenas um pregão, impulsionada por uma forte reação dos investidores ao seu balanço trimestral divulgado recentemente. Essa alta equivale a cerca de R$ 2,3 trilhões, valor que supera em mais de quatro vezes o valor de mercado da Petrobras, atualmente estimado em R$ 568 bilhões, tornando-se uma das maiores variações de valor em um único dia na história das empresas de tecnologia.
O movimento de ontem evidencia não apenas o otimismo do mercado com os resultados da Nvidia, mas também revela duas tendências importantes: o fluxo intenso de capital direcionado ao setor de inteligência artificial e o isolamento do Brasil dessa corrida global por avanços tecnológicos. Apesar de o isolamento potencialmente proteger o país de uma possível bolha de investimentos, ele também limita o potencial de desenvolvimento e exportação de tecnologia nacional, que permanece centrado na exportação de commodities.
A valorização expressiva da Nvidia ocorreu após a companhia apresentar um desempenho trimestral surpreendente, superando as expectativas do mercado. No segundo trimestre fiscal, a empresa registrou uma receita de US$ 96,2 bilhões, o que representa um crescimento de 106% em relação ao mesmo período do ano anterior e ficou acima dos US$ 92,2 bilhões previstos por analistas. O lucro líquido atingiu US$ 59,7 bilhões, um aumento de 126%, enquanto o lucro ajustado por ação foi de US$ 2,22, superando a projeção de US$ 2,10.
Com esses números, a Nvidia atualmente gera, em média, mais de US$ 1 bilhão por dia. Considerando o período de aproximadamente três meses do trimestre, o faturamento diário fica em torno de US$ 1,06 bilhão. O que realmente animou os investidores, contudo, foram as projeções para o próximo período. A empresa estima uma receita de US$ 108 bilhões no trimestre atual, com uma margem de variação de 2%, ante a expectativa do mercado de US$ 104,2 bilhões.
Apesar da reação inicial de cautela, com as ações da Nvidia caindo antes da abertura do pregão, o otimismo foi reforçado por declarações da diretora financeira, Colette Kress. Ela indicou que a expectativa preliminar é de que a receita cresça cerca de 70% no ano fiscal de 2028, bem acima dos 44% estimados anteriormente por analistas. Segundo Kress, a demanda dos clientes é forte e permitiria à Nvidia dobrar de tamanho no próximo ano, mas a companhia enfrenta limitações de oferta devido à alta procura.
Jensen Huang, CEO e fundador da Nvidia, reforçou que a demanda por seus produtos é maior do que a capacidade de produção atual da empresa, e que esforços estão sendo feitos para ampliar a capacidade junto aos fornecedores. Este desempenho também impactou positivamente outros setores de tecnologia, elevando o índice de semicondutores em 2,3% e contribuindo para uma alta de 3,4% no setor de tecnologia do S&P 500. O Nasdaq fechou com alta de 1,57%, superando os ganhos do Dow Jones (0,20%) e do próprio índice S&P 500 (0,72%).
A forte demanda e as projeções otimistas reforçam a percepção de que o setor de inteligência artificial continuará atraindo investimentos significativos. No entanto, essa corrida também levanta questionamentos sobre a formação de uma possível bolha de valorização, uma vez que o aumento das avaliações das empresas e o influxo de dinheiro no setor elevam a expectativa de que esses investimentos se traduzam em receitas e lucros concretos no futuro.