Os contratos futuros de petróleo fecharam em baixa nesta segunda-feira, dia 24, após uma sequência de seis sessões consecutivas de valorização. Apesar do otimismo temporário no mercado, fatores como o baixo fluxo de embarcações pelo Estreito de Ormuz e as novas sanções impostas pelos Estados Unidos ao Irã não foram suficientes para sustentar os preços do petróleo.
Na Bolsa de Mercadorias de Nova York (Nymex), o petróleo tipo WTI para entrega em outubro recuou 2,35%, ou US$ 2,05, fechando a US$ 85,01 por barril. Na mesma direção, o petróleo Brent para novembro, negociado na Bolsa de Londres (ICE), caiu 2,3%, ou US$ 2,13, encerrando o dia a US$ 90,54 por barril. Esses movimentos de baixa representam uma correção após o forte avanço recente, que elevou os preços a patamares mais altos nas últimas semanas.
As sanções econômicas anunciadas pelos Estados Unidos nesta segunda-feira atingiram aproximadamente 50 empresas e 30 indivíduos ligados ao regime iraniano. A medida faz parte da operação denominada “Economic Outcast” (ou “Pária Econômico”, em português), na qual o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, ameaçou cortar países que mantenham laços econômicos com Teerã do sistema financeiro baseado no dólar. A iniciativa reforça a estratégia de pressão econômica dos EUA contra o Irã, buscando limitar suas atividades e influência no mercado global de petróleo.
O governo iraniano, por sua vez, afirmou que considera qualquer apoio de outros países às novas sanções uma ação de guerra. Em uma declaração oficial, Teerã afirmou que a campanha de pressão econômica de Washington será infrutífera e que continuará defendendo seus interesses. Além disso, Mohsen Rezaei, chefe de Segurança do Irã, sugeriu que o país pode reconsiderar sua posição de longa data de rejeição às armas nucleares, alegando que os ataques dos EUA ao Irã fortaleceram o argumento para a aquisição de uma bomba atômica como medida de dissuasão.
No âmbito da segurança marítima, as tensões no Golfo Pérsico continuam a aumentar. A Arábia Saudita confirmou que um navio foi atacado pelos Houthis do Iêmen, grupo aliado ao Irã, no Mar Vermelho. Este incidente eleva o risco de conflitos na região, que é uma das principais rotas de transporte de petróleo mundial. Segundo dados da empresa de análise de dados marítimos Kpler, menos de 20 embarcações de commodities passaram pelo Estreito de Ormuz durante o final de semana, indicando uma redução no tráfego marítimo na região.
Embora as sanções tenham um alcance mais amplo, a maior preocupação do mercado está relacionada às implicações para as exportações de petróleo do Irã. Segundo o analista David Oxley, da Capital Economics, o impacto direto das novas medidas deve ser limitado no curto prazo, uma vez que a maior parte do petróleo iraniano continua a ser enviada principalmente à China, país que historicamente não reconheceu as sanções dos Estados Unidos. Assim, a demanda chinesa mantém uma certa estabilidade, minimizando os efeitos imediatos sobre os preços internacionais do petróleo.