Nesta quarta-feira, em Pequim, fabricantes chineses de robôs humanóides exibiram suas últimas inovações durante a Conferência Mundial de Robótica, evento que reúne mais de 300 empresas, predominantemente nacionais, e que segue até o próximo domingo. A feira apresentou uma exposição com mais de 2.000 produtos e lançou oficialmente mais de 150 novidades tecnológicas, refletindo o crescente interesse do mercado e do setor industrial na tecnologia de robôs com características humanas.
O contexto do evento evidencia uma tendência de expansão do uso de robôs humanóides na China, impulsionada por um aumento na demanda por soluções automatizadas em diversas áreas, incluindo logística, manufatura e serviços domésticos. A presença de investidores e empresas do país demonstra a busca por consolidar a China como uma potência nesse segmento, além de competir tecnicamente com os Estados Unidos, especialmente em um cenário de tensões geopolíticas e restrições às exportações de componentes avançados de inteligência artificial (IA).
Um dos destaques do evento foi a valorização das ações da Unitree, fabricante chinesa de robôs, cujo valor disparou quase seis vezes na estreia na Bolsa de Xangai nesta quarta-feira, após uma demanda de investidores de varejo que superou em mais de 8.000 vezes a quantidade de ações disponíveis. Essa alta reflete o otimismo do mercado com o potencial de crescimento do setor de robótica na China.
A visita surpresa de Madison Huang, executiva sênior da Nvidia e filha do CEO Jensen Huang, chamou atenção durante a feira. Ela observou robôs realizando movimentos acrobáticos, como chutes voadores e coreografias de dança, além de visitar um estande dedicado à tecnologia da empresa. Huang também questionou os sensores utilizados nos robôs, destacando o papel das plataformas Omniverse e de robótica da Nvidia, que simulam e testam sistemas de IA capazes de perceber e atuar no mundo real.
Apesar das restrições impostas pelos Estados Unidos à exportação de chips de IA mais avançados para a China, a presença de fornecedores estrangeiros no evento evidencia a importância de parcerias internacionais para o desenvolvimento de robôs no país. A fabricante norte-americana RealSense, especializada em sistemas de visão para robôs, afirmou estar estabelecendo novas parcerias comerciais na China, considerando o mercado estratégico que se configura como um centro emergente em tecnologia humanóide.
Na cerimônia de abertura, Xin Guobin, vice-ministro da Indústria e Tecnologia da Informação da China, destacou a relevância da robótica como força motriz no desenvolvimento econômico e social do país. Os robôs chineses estão cada vez mais integrados em ambientes de logística, manufatura e serviços, com empresas demonstrando aplicações práticas. Zhang Dapeng, vice-presidente adjunto da Leju, revelou que seus robôs industriais estão sendo utilizados para movimentar e separar caixas e objetos pequenos, com fábricas europeias e montadoras chinesas adotando a tecnologia.
Na feira, a Robotera apresentou um torso humanóide equipado com software de IA, utilizado em instalações logísticas dos Correios da China desde o ano passado, com mais de 100 unidades operando em 15 armazéns. Já a DexForce demonstrou robôs embalando celulares em linhas de montagem, utilizados desde o início deste ano na fábrica da Lens Technology, fornecedora de componentes para marcas como Apple e Huawei. Os robôs, capazes de detectar e corrigir erros com precisão milimétrica, substituem tarefas repetitivas e monótonas, que muitos trabalhadores resistem em executar.
Além disso, a Lumos Robotics já emprega robôs na montagem de módulos em sua fábrica e planeja ampliar sua utilização na etapa de montagem final. A X Square Robot, especializada em tarefas domésticas, realiza testes que vão além de simples demonstrações, com operações de longa duração em residências, visando uma implantação comercial mais ampla no próximo ano.
Segundo Nielsen, da RealSense, as empresas que obtiverem maior sucesso na área de robótica serão aquelas capazes de colocar seus produtos em ambientes de produção ativos. O ritmo acelerado de desenvolvimento na China tem pressionado fornecedores a reduzirem os ciclos de inovação para entre seis e oito meses, em comparação com os tradicionais três a quatro anos, evidenciando a rapidez com que a tecnologia de robôs humanóides está evoluindo no país.