As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DIs) fecharam a terça-feira, 18 de outubro, próximas da estabilidade, apresentando leves oscilações tanto para cima quanto para baixo. Essa movimentação ocorreu em um cenário de atenção dos agentes do mercado financeiro às tensões geopolíticas externas, especialmente às recentes escaladas no Oriente Médio, além de fatores internos que influenciam as expectativas econômicas no Brasil.
Ao final do pregão, a taxa do DI para janeiro de 2028 registrou 13,965%, uma leve redução em relação ao ajuste de 14,003% observado na sessão anterior. Na ponta mais longa da curva de juros futura, o contrato para janeiro de 2035 fechou em 14,78%, frente ao ajuste de 14,74% do dia anterior. Essas variações, embora pequenas, refletem o equilíbrio momentâneo entre diferentes forças atuantes no mercado de renda fixa.
De acordo com Luciano Rostagno, estrategista-chefe e sócio da EPS Investimentos, o mercado de títulos públicos se viu dividido entre duas forças principais ao longo do dia. De um lado, os dados recentes do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que indicaram uma desaceleração na atividade econômica brasileira, exerceram pressão baixista sobre as taxas de juros de curto prazo. Por outro lado, o cenário externo, marcado por tensões geopolíticas e pelo quadro fiscal doméstico, sustentou uma pressão altista especialmente na ponta longa da curva de juros. Rostagno explicou que esses fatores operaram em conjunto, resultando em uma curva de juros que permaneceu relativamente equilibrada, sem movimentos expressivos em uma direção única.
No cenário internacional, as tensões aumentaram após declarações do Irã de que adotará uma postura militar “totalmente ofensiva”, em resposta ao impasse nas negociações para encerrar a guerra na região com os Estados Unidos. A autoridade iraniana de alto escalão revelou à Reuters que os esforços diplomáticos estagnaram, o que contribuiu para o aumento das preocupações no mercado global. Como consequência, os preços do petróleo Brent fecharam acima de US$ 90 o barril, refletindo a maior apreensão com o fornecimento de energia e o impacto potencial na inflação global.
Essas incertezas geopolíticas elevaram as expectativas de inflação, levando os rendimentos dos títulos de 30 anos nos Estados Unidos — o mercado de títulos mais relevante do mundo em termos sistêmicos — a atingirem seu maior nível desde 2007. Essa tendência de alta também foi observada em outros mercados, como o japonês, onde as taxas de títulos de 10 anos se aproximaram de 3%, patamar não visto há três décadas. Na Europa, os rendimentos dos títulos alemães de 10 anos atingiram o maior nível desde 2011, enquanto os títulos franceses registraram o maior rendimento desde 2009. Além disso, os papéis britânicos de 30 anos se aproximaram dos picos de maio, que marcaram seus níveis mais altos desde 1998.
Na agenda doméstica, os investidores aguardam a divulgação da ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve, prevista para quarta-feira. A expectativa é de que o documento forneça pistas adicionais sobre a trajetória futura dos juros nos Estados Unidos, influenciando as decisões do mercado brasileiro em um contexto de maior volatilidade global.