A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) agendou para o dia 8 de setembro o julgamento de um processo sancionador que investiga operações supostamente fraudulentas realizadas pelo Banco Master e integrantes da família Vorcaro, relacionadas a cotas do fundo de investimento imobiliário (FII) Brazil Realty. A ação apura irregularidades na manipulação de ativos e possíveis fraudes envolvendo a negociação de cotas do fundo, com o objetivo de desviar recursos e mascarar prejuízos.
O processo inclui, além do Banco Master, um total de 19 envolvidos, entre eles Daniel Vorcaro, Viking Participações — empresa de propriedade do ex-banqueiro —, Entre Investimentos e Antônio Carlos Freixo Júnior, na época diretor responsável pela gestão da Entre Investimentos. Segundo a acusação, o esquema consistiu na incorporação de ativos sobreavaliados ao portfólio do FII Brazil Realty, que foram transformados em cotas negociáveis no mercado. Essa operação teria permitido ao grupo converter esses ativos em dinheiro de forma ilícita, enquanto as perdas financeiras ficaram dispersas entre outros fundos de investimento, prejudicando investidores e fundos de previdência de servidores públicos.
A CVM identificou um prejuízo estimado em aproximadamente R$ 5,8 milhões, decorrente da negociação dessas cotas por fundos de investimento, incluindo alguns regimes próprios de previdência de servidores públicos. Essas perdas reforçam a gravidade do caso, que envolve possíveis violações às normas de conduta e transparência no mercado de capitais, além de práticas que comprometem a integridade do sistema financeiro.
A investigação revela que as operações suspeitas ocorreram em um contexto de manipulação de ativos imobiliários, com a intenção de inflar artificialmente o valor das cotas do FII Brazil Realty. A prática de sobreavaliação de ativos é uma das principais alegações contra os envolvidos, que teriam utilizado esse artifício para criar uma aparência de valorização e, assim, facilitar a negociação de cotas em condições fraudulentas. Essa estratégia permitiu a realização de lucros ilícitos enquanto outros fundos, incluindo previdenciários, suportaram as perdas decorrentes dessas operações.
O julgamento marcado para setembro será uma etapa crucial no processo de apuração, no qual a CVM avaliará as evidências e decidirá pela aplicação de sanções administrativas aos envolvidos, caso sejam considerados responsáveis. O caso reforça o papel da autarquia na fiscalização e na punição de práticas fraudulentas no mercado de capitais, buscando preservar a integridade do sistema financeiro e proteger os investidores.