A performance financeira da Baidu, principal gigante chinesa do setor de tecnologia e internet, apresentou novo declínio no segundo trimestre de 2023, refletindo dificuldades que persistem mesmo após esforços de reposicionamento estratégico voltados para a inteligência artificial (IA). A companhia, sediada em Pequim e frequentemente vista como a “resposta chinesa ao Google”, enfrenta um cenário desafiador, marcado por uma forte redução em seus lucros e receitas, enquanto intensifica seus investimentos em IA, direção autônoma e desenvolvimento de chips.
Nos três meses encerrados em junho, a Baidu anunciou uma queda de 68% no lucro líquido, que totalizou 2,32 bilhões de yuans (aproximadamente US$ 344,2 milhões). Em comparação com o mesmo período do ano anterior, a receita da empresa recuou 4,2%, atingindo 31,325 bilhões de yuans. Esses resultados ficaram abaixo das expectativas de analistas consultados pela FactSet, que projetavam um lucro líquido de 2,82 bilhões de yuans e uma receita de 31,34 bilhões de yuans. O desempenho financeiro fraco ocorre em um contexto de contínua desvalorização das ações listadas em Hong Kong, que perderam mais de 20% de seu valor neste ano, refletindo a pressão exercida pelo mercado sobre o negócio tradicional de publicidade da companhia, que ainda representa uma parcela significativa de sua receita.
A estratégia de investimentos da Baidu concentra-se em fortalecer sua atuação no setor de inteligência artificial, que, segundo a própria empresa, responde atualmente por cerca de metade de sua receita total. Apesar do crescimento de 25% na receita do negócio de IA na comparação anual, esse ritmo de expansão desacelerou e ficou 8% abaixo do registrado no trimestre anterior, indicando uma possível saturação ou dificuldades em consolidar essa nova fase de crescimento. A demanda por capacidade de computação relacionada à IA permaneceu elevada, com analistas do Citi destacando o fortalecimento do segmento no segundo trimestre.
Além do foco em IA, a Baidu tem direcionado recursos para projetos de direção autônoma e desenvolvimento de chips, como parte de sua estratégia de diversificação e reposicionamento no mercado de tecnologia. Entretanto, esses investimentos ainda não se refletiram de forma significativa nos resultados financeiros, que continuam sendo impactados pelo declínio do negócio de publicidade, sua principal fonte de receita tradicional.
A companhia também enfrenta desafios adicionais no cenário regulatório e competitivo na China, onde compete com gigantes como Alibaba e ByteDance, além de startups especializadas em IA, como DeepSeek e Moonshot AI. Na semana passada, a Fitch Ratings rebaixou o rating de crédito de longo prazo da Baidu de A para A-, citando o declínio estrutural no segmento de buscas por anúncios e a pressão de novos concorrentes baseados em IA e chatbots, que ameaçam a monetização do seu principal produto de busca.
Por sua vez, o CEO e fundador da Baidu, Robin Li, afirmou que o negócio impulsionado por IA está “firmemente estabelecido como o núcleo da empresa” e que a companhia está “fortalecendo as bases para a próxima fase de crescimento guiado por IA”. Ainda assim, os resultados do segundo trimestre evidenciam a dificuldade de transformar esses investimentos em resultados financeiros positivos no curto prazo, enquanto o mercado acompanha de perto também a possível abertura de capital da unidade de chips Kunlunxin, prevista para Hong Kong ainda neste ano.