A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) manifestou-se nesta sexta-feira (14) aconselhando o governo brasileiro a evitar a adoção de contramedidas no processo de reciprocidade iniciado em resposta às tarifas impostas pelos Estados Unidos. Em nota oficial, a entidade destacou a importância de intensificar o diálogo entre Brasil e Estados Unidos com o objetivo de reduzir as sobretaxas atualmente em vigor, evitar a implementação de novas restrições comerciais e promover um entendimento que preserve e amplie o comércio bilateral e os investimentos entre as duas nações.
A Amcham Brasil acompanha de perto os desdobramentos das negociações relacionadas às tarifas de 37,5% aplicadas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana. Segundo a entidade, a adoção de contramedidas por parte do Brasil, neste momento, deve ser evitada devido aos riscos de aumento de custos para empresas e consumidores, além de potencialmente prejudicar cadeias produtivas e investimentos no país. A preocupação central é que medidas de retaliação possam escalar a tensão comercial e política entre os dois países, agravando o cenário econômico.
A Amcham reforçou que o procedimento de reciprocidade iniciado pelo Brasil não significa, neste momento, uma decisão de aplicar contramedidas. O processo, conforme explicou, envolve etapas de consultas diplomáticas com o governo dos Estados Unidos, análise do enquadramento legal e consulta pública, como parte de uma avaliação preliminar. A entidade destacou que esse procedimento busca garantir que as ações do Brasil sejam conduzidas de forma equilibrada, com moderação e critérios bem fundamentados, sempre com ampla participação do setor empresarial.
A posição da Amcham reflete uma pesquisa recente realizada com o setor empresarial brasileiro, na qual 90,5% dos entrevistados defenderam o diálogo diplomático e comercial com os Estados Unidos como estratégia preferencial. Apenas 3,2% apoiaram a adoção de medidas de reciprocidade como resposta às tarifas americanas, reforçando a preferência por uma abordagem mais conciliadora e negociada.
O governo brasileiro, por sua vez, tem adotado uma postura de diálogo. Nesta sexta-feira, o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) enviou uma notificação oficial aos Estados Unidos, informando que o Brasil iniciou o procedimento de reciprocidade em face das tarifas impostas pelo governo Trump a produtos brasileiros. A notificação foi enviada aos departamentos de Estado e de Comércio dos EUA, bem como ao USTR, confirmando o início formal do processo.
As tarifas de 37,5% foram aplicadas pelo USTR em junho deste ano, sob a justificativa de uma investigação na Seção 301, que permite aos Estados Unidos investigarem e retaliar práticas comerciais consideradas injustas por outros países. O objetivo do procedimento de reciprocidade é estabelecer medidas proporcionais às tarifas americanas, buscando equilibrar a relação comercial entre as duas nações.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também se manifestou nesta sexta-feira, defendendo o início do processo de reciprocidade. Ele reiterou que o Brasil não busca entrar em uma disputa com os Estados Unidos, mas sim estabelecer o diálogo como meio de resolver a questão das tarifas. Lula afirmou que o país está aberto ao diálogo com o governo norte-americano, ressaltando a importância de manter uma postura de cooperação na relação bilateral, mesmo diante das tensões comerciais.