A agência de classificação de risco Fitch Ratings confirmou nesta quinta-feira, 13 de dezembro, o rating de crédito de longo prazo dos Estados Unidos em moeda estrangeira na nota “AA+”, mantendo a perspectiva de estabilidade. A decisão reflete a avaliação positiva da força econômica do país, sua elevada renda per capita e a flexibilidade financeira que o país demonstra, fatores que são sustentados pelo papel do dólar como principal moeda de reserva global.
De acordo com o comunicado oficial da Fitch, o crescimento econômico dos Estados Unidos deve permanecer relativamente resistente nos próximos anos, com previsão de expansão de 1,9% em 2026 e 2027. Essa taxa é considerada moderada, sobretudo quando comparada ao crescimento de 2,8% estimado para o ano de 2025. A agência destacou que, apesar das incertezas relacionadas às mudanças tarifárias e aos aumentos nos preços do petróleo, a economia americana mostra capacidade de absorver impactos externos e de se adaptar às condições adversas, o que reforça sua flexibilidade estrutural.
Por outro lado, a Fitch Ratings apontou o elevado nível de endividamento público como uma das principais preocupações que limitam a avaliação do país. A agência ressaltou que os Estados Unidos continuam enfrentando déficits fiscais elevados, os quais não têm sido acompanhados por medidas efetivas de consolidação fiscal por parte do governo. Essa situação, segundo a agência, representa um fator de risco para a sustentabilidade financeira de médio e longo prazo.
A projeção da Fitch indica que o déficit fiscal do governo federal deve subir para aproximadamente 7,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, em comparação com 6,8% em 2025. Essa elevação é atribuída aos efeitos dos cortes de impostos promovidos pela legislação conhecida como “One Big Beautiful Bill Act”, além de um volume estimado de US$ 100 bilhões em reembolsos de tarifas até julho de 2026. Esses fatores contribuem para o aumento do desequilíbrio fiscal, agravando a pressão sobre as contas públicas.
No que diz respeito à inflação, a Fitch projeta uma média de 3,6% para o ano de 2026. Tal previsão está acima da meta de 2% estabelecida pelo Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos. Essa expectativa de inflação elevada pode influenciar as políticas monetárias do país, além de impactar o cenário econômico geral.
Em suma, a manutenção do rating “AA+” indica que, apesar dos desafios fiscais, os fundamentos econômicos e financeiros dos Estados Unidos continuam sólidos, sustentados pela força de sua economia e pelo papel global do dólar. Contudo, o elevado endividamento público e as pressões inflacionárias permanecem como fatores que podem influenciar futuras avaliações de risco, dependendo de como o governo federal gerenciar essas questões nos próximos anos.