O Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) apresentou uma redução de 0,86% em julho, após recuar 0,79% no mês anterior, conforme divulgado nesta sexta-feira (7) pela Fundação Getulio Vargas (FGV). O resultado ficou abaixo do esperado pelos analistas consultados pela Reuters, que previam uma queda de 0,92%. Apesar da desaceleração, o índice acumula uma alta de 2,77% nos últimos 12 meses, indicando uma inflação moderada no período.
O componente responsável por aproximadamente 60% do IGP-DI, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-DI), registrou uma queda de 1,31% em julho, ligeiramente menor do que a retração de 1,36% observada em junho. Segundo Matheus Dias, economista do FGV IBRE, a redução nos preços ao produtor foi influenciada por quedas acentuadas na indústria extrativa, especialmente nos setores de minério de ferro e bovinos. Os preços desses itens recuaram 3,7% e 3,6%, respectivamente, refletindo uma retração significativa na produção e na oferta desses produtos no mercado interno.
O índice que mede os preços ao consumidor, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que representa cerca de 30% do IGP-DI, também apresentou sinais de desaceleração, com uma variação negativa de 0,08% em julho, ante uma alta de 0,36% registrada em junho. Essa redução na pressão inflacionária ao consumidor foi liderada pelos grupos de Alimentação e Transportes, que registraram deflação de 0,87% e 0,29%, respectivamente. Esses resultados indicam uma melhora no poder de compra dos consumidores, em um momento de menor pressão de preços na economia.
Outro componente importante do índice, o Índice Nacional de Custo de Construção (INCC), também apresentou desaceleração, com alta de 0,61% em julho, contra 0,78% no mês anterior. Esse indicador reflete os custos de materiais, mão de obra e outros insumos utilizados na construção civil, e sua desaceleração sugere uma moderada estabilização nesse setor.
O cálculo do IGP-DI abrange os preços ao produtor, ao consumidor e na construção civil, considerando o período entre o primeiro e o último dia de cada mês de referência. O resultado de julho reforça a tendência de desaceleração dos preços na economia brasileira, embora o índice ainda registre alta acumulada em 12 meses, indicando que a inflação permanece sob controle, mas com sinais de estabilidade na trajetória de preços.