Com a chegada do frio em diversas regiões do Brasil, os zoológicos têm adotado uma série de medidas para proteger os animais das baixas temperaturas. Cobertores, sopas, chás e aquecedores são algumas das estratégias utilizadas pelos cuidadores para garantir o bem-estar das espécies que habitam essas instituições.
Os cuidados com os animais variam conforme suas necessidades específicas. Em muitas situações, os zoológicos oferecem alimentos quentes e aquecedores nos recintos, especialmente para espécies que não estão adaptadas ao frio. Animais oriundos de climas tropicais e subtropicais, que estão habituados a temperaturas mais elevadas, recebem atenção especial. De acordo com Marcos Traad, diretor técnico do BioParque do Rio de Janeiro, esses animais apresentam menos adaptações corporais que os ajudam a reter calor, tornando-os mais vulneráveis ao frio. “Animais de climas tropicais sempre sofrem mais com a queda da temperatura ambiente. Eles são mais sensíveis e necessitam de maiores cuidados e atenção”, afirma Traad.
Além dos cuidados gerais, filhotes e animais idosos também exigem atenção diferenciada. A bióloga Mara Marques, do Zoo de São Paulo, destaca a importância de monitorar a saúde de filhotes, que ainda estão desenvolvendo seu sistema imunológico, e de animais geriátricos, que precisam de cuidados especiais, assim como ocorre com os humanos.
Um dos animais que mais sofre com as temperaturas baixas é o chimpanzé. Para garantir seu conforto, os cuidadores disponibilizam cobertores para que eles se aquecem durante a noite e oferecem caldos e chás, que já fazem parte de sua alimentação habitual. O Zoológico de São Paulo, por meio de um comunicado, enfatiza que todas as refeições são preparadas e supervisionadas por uma equipe técnica composta por biólogos, veterinários e zootecnistas.
Espécies como girafas, micos-leões e jabutis-gigantes-de-aldabra, que estão mais acostumados a climas quentes, são mantidas em ambientes com temperatura controlada durante a noite, quando o frio se intensifica. Já os animais pecilotérmicos, como anfíbios e répteis, dependem da temperatura do ambiente para regular seu metabolismo. Para esses animais, os zoológicos instalam aquecedores em seus abrigos e, considerando que o frio também traz ar mais seco, utilizam umidificadores e borrifadores para manter a umidade adequada.
Mara Marques ressalta que os répteis são particularmente sensíveis às mudanças de temperatura. Em dias quentes, eles se expõem ao sol para se aquecer, enquanto em períodos de frio, os zoológicos providenciam tanques aquecidos para que consigam manter sua temperatura corporal.
Outro aspecto importante para a manutenção da temperatura corporal dos animais é a alimentação. Durante o inverno, a dieta dos animais é ajustada para incluir alimentos mais calóricos, o que auxilia na geração de calor durante o processo de digestão. Essa estratégia visa aumentar o ganho energético e a camada de gordura subcutânea, que ajuda a equilibrar a sensação térmica. “Quando ocorre o oposto, em períodos de muito calor, ajustamos a dieta com alimentos mais leves, para que o metabolismo do animal continue funcionando adequadamente sem excesso de reserva de gordura”, conclui Mara.
Dessa forma, os zoológicos brasileiros demonstram um compromisso com o bem-estar animal, implementando medidas que garantem a proteção e a saúde das espécies em um período do ano que pode ser desafiador para muitos deles.