A condição conhecida como gordura no fígado, ou esteatose hepática, é bastante comum e muitas vezes se apresenta de forma assintomática. O problema ocorre quando há um acúmulo excessivo de gordura nas células do fígado, o que pode prejudicar a função do órgão com o passar do tempo.
Embora a descoberta do diagnóstico possa ser alarmante, compreender os níveis da condição é fundamental para avaliar os riscos e a necessidade de acompanhamento médico. De acordo com o Ministério da Saúde, a esteatose pode ser dividida em três graus, que são determinados principalmente pela quantidade de gordura acumulada no fígado, revelada através de exames de imagem e laboratoriais.
Nos estágios iniciais, mudanças no estilo de vida costumam ser eficazes para controlar a situação. Porém, em graus mais avançados, o risco de inflamação, fibrose e cirrose aumenta consideravelmente.
A esteatose hepática se manifesta quando o fígado começa a acumular mais gordura do que o habitual. Entre os principais fatores de risco estão sobrepeso, obesidade, resistência à insulina, diabetes tipo 2, níveis elevados de colesterol e consumo excessivo de álcool. Existe também a forma não alcoólica, que tem se tornado cada vez mais prevalente. Exames como ultrassonografia e testes laboratoriais ajudam a determinar o grau da doença, que varia conforme a quantidade de gordura acumulada e a presença de inflamação ou danos nas células hepáticas.
No primeiro grau, há um leve acúmulo de gordura no fígado. Os sintomas mais comuns incluem a ausência de sinais evidentes, embora alguns pacientes possam relatar leve cansaço ou desconforto abdominal vago. Nesta fase, que é reversível, ajustes na dieta e a prática de exercícios físicos costumam ser suficientes.
No segundo grau, o acúmulo de gordura é moderado e já é mais visível nos exames. Os sintomas incluem fadiga frequente e sensação de peso ou desconforto no lado direito do abdômen. Este estágio requer acompanhamento médico mais rigoroso, pois pode evoluir para a inflamação do fígado, conhecida como esteato-hepatite.
No terceiro grau, há um acúmulo significativo de gordura, aumentando o risco de inflamação e cicatrização do fígado. Os sintomas incluem fraqueza intensa, dor abdominal persistente, aumento do fígado e alterações nos exames de sangue. Este estágio é mais preocupante, associado a riscos de fibrose, cirrose e insuficiência hepática.
A endocrinologista Deborah Beranger, do Rio de Janeiro, enfatiza que classificar a esteatose em graus é crucial para determinar os próximos passos no tratamento. O cirurgião de fígado e pâncreas Eduardo Ramos, do Instituto de Cirurgia Robótica do Paraná, destaca que, apesar da notável capacidade de regeneração do fígado, a progressão descontrolada da doença pode resultar em danos permanentes. Portanto, o diagnóstico precoce é essencial.
Estima-se que a gordura no fígado atinja cerca de 30% da população mundial. Alterações na função hepática podem ocasionar distúrbios do sono, como insônia, sonolência diurna e ciclos de descanso irregulares. No início, os sintomas costumam ser vagos, como cansaço, fraqueza, diminuição do apetite, náuseas e sensação de inchaço ou desconforto no lado direito do abdômen. Mesmo na ausência de sintomas, indivíduos com fatores de risco, como obesidade, diabetes ou colesterol alto, devem investigar a saúde do fígado. Compreender os níveis de gordura no fígado não serve apenas para rotular o diagnóstico, mas para orientar decisões que podem prevenir a progressão da doença e garantir a saúde do órgão a longo prazo.
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