O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, abriu nesta terça-feira, dia 22, a 81ª Assembleia Geral da entidade, emitindo um alerta contundente sobre o aumento dos conflitos armados, a escalada de guerras e os perigos decorrentes do avanço da inteligência artificial (IA). Em seu discurso de abertura, Guterres destacou que o mundo enfrenta quatro grandes testes de poder que irão moldar o futuro global: conflitos e guerras, desigualdade, mudanças climáticas e a própria inteligência artificial.
Durante sua fala, Guterres abordou especificamente as tensões e crises que ocorrem atualmente em diferentes regiões do globo, incluindo o Oriente Médio, a Ucrânia, o Sudão e Mianmar. Segundo ele, esses conflitos exemplificam o que acontece quando o poder sai do controle, quando a força prevalece sobre a diplomacia e quando a responsabilização dos atores envolvidos não é efetivamente aplicada. Ele afirmou que esses episódios não representam crises isoladas, mas capítulos de uma mesma narrativa sobre o uso do poder, sua evolução e as consequências de sua má gestão.
Este foi o último discurso de Guterres como secretário-geral da ONU, já que seu segundo mandato de cinco anos se encerra em dezembro de 2023. Entre as principais preocupações levantadas por ele está o desenvolvimento acelerado da inteligência artificial, que, na avaliação do líder da organização, pode estar evoluindo mais rapidamente do que a capacidade da humanidade de compreender seus efeitos e implicações. Guterres alertou que, apesar de os criadores da tecnologia reconhecerem os riscos, há uma crescente cegueira diante do potencial destrutivo da IA.
Ele reforçou que o problema não reside na tecnologia em si, mas na ausência de responsabilidade na sua utilização, destacando que a tecnologia sem uma regulação adequada representa um risco real. Para Guterres, é fundamental que os governos promovam maior diálogo, transparência, confiança e cooperação internacional na governança da inteligência artificial, a fim de evitar que o avanço tecnológico gere consequências irreversíveis para a sociedade global.
O secretário-geral também abordou a questão das divisões geopolíticas e do aumento da instabilidade internacional, enfatizando que o fortalecimento de mecanismos de responsabilidade e a responsabilização dos atores envolvidos são essenciais para evitar que esses conflitos se agravem ainda mais. Sua fala reforça a preocupação da ONU com a necessidade de ações coordenadas diante de um cenário mundial marcado por tensões crescentes e desafios complexos, especialmente no que diz respeito ao impacto da inteligência artificial e às disputas por poder que alimentam conflitos armados.
Este discurso marca o encerramento de uma gestão marcada por alertas sobre os riscos globais, reforçando a urgência de ações multilaterais para enfrentar os principais desafios do século XXI.