Além de reinterpretar a história dos presidentes anteriores com placas expostas em um corredor da Casa Branca, Donald Trump decidiu renomear o Kennedy Center, incorporando seu nome ao renomado espaço dedicado às artes cênicas em Washington.
A mudança, que transformou a instituição em Trump-Kennedy Center, é sem precedentes e levanta questões sobre sua legalidade, uma vez que tal ato exigiria a autorização do Congresso. Em fevereiro, Trump reformulou todo o conselho do Kennedy Center, assumindo a presidência da nova equipe, que inclui Usha Vance, esposa do vice-presidente, e Suzie Wiles, chefe de Gabinete da Casa Branca. Esses novos membros votaram a favor da alteração de nome. Apesar disso, Trump afirmou ter ficado surpreso com a homenagem.
“Fiquei honrado. É um conselho muito distinto, composto pelas pessoas mais ilustres do país. E fiquei surpreso. Fiquei honrado”, declarou ele.
Historiadores, líderes democratas e membros da família Kennedy, como Maria Shriver, sobrinha do ex-presidente, manifestaram sua indignação e se opuseram à mudança. Shriver expressou sua desaprovação nas redes sociais: “Será que não conseguimos ver o que está acontecendo aqui? Vamos lá, meus compatriotas americanos! Acordem! Isso não é digno. Isso não tem graça. Isso está muito abaixo da estatura do cargo. É simplesmente bizarro. É obsessivo de um jeito estranho. Justo quando você pensa que alguém não pode se rebaixar mais, essa pessoa se rebaixa”.
O Kennedy Center foi nomeado em 1964 em homenagem ao presidente assassinado no ano anterior, através de uma legislação aprovada pelo Congresso que proíbe o conselho de transformá-lo em um memorial para qualquer outra pessoa. Os líderes democratas na Câmara e no Senado, Hakeem Jeffries e Chuck Schumer, questionaram a legalidade da mudança em um comunicado, indicando que a controvérsia está longe de acabar.
Entretanto, a alteração já está em vigor: o site do centro foi atualizado e a fachada agora exibe o nome de Trump, posicionado acima do de seu antecessor.