Reconhecidos em aeroportos, alvo de memes na internet e carinhosamente mencionados pelo público, os auditores fiscais da Receita Federal, que se tornaram famosos por meio da série Aeroporto: Área Restrita, enfrentam uma realidade distante dos holofotes. Para eles, a prioridade não é a fama, mas sim evidenciar a seriedade e a humanidade que residem por trás do uniforme.
A nova temporada da série estreia hoje na HBO Max e promete trazer novas narrativas, incluindo rostos inéditos da Receita, além de contar com a presença de figuras queridas da audiência, como os auditores fiscais Mário de Marco e Paulo Angelito, e a analista tributária Valdileia Cunha, conhecida como Val.
Em uma entrevista exclusiva ao Splash, os agentes discutiram os desafios e as gratificações de se tornarem, de maneira inesperada, “ícones pop” — um título que aceitam com cautela e uma pitada de humor.
O que ocorre na prática é que o reconhecimento nas ruas é algo comum, mas a forma como o público se aproxima varia bastante. Durante as operações, uniformizados e acompanhados de cães farejadores, o respeito geralmente é mantido. “As pessoas costumam se manter a uma certa distância, pois entendem que estamos em meio a uma operação”, explica Angelito.
O verdadeiro desafio aparece nos momentos de lazer. “O que realmente se torna complicado é quando estou em uma lanchonete ou restaurante com minha esposa, e alguém vem, ‘Angelito, meu Deus!'”, conta ele. A linha entre a figura pública e a vida pessoal se torna tênue, e manter a educação é essencial para gerenciar essas situações, sempre pedindo compreensão para preservar a privacidade.
Val destaca a reação das crianças, que muitas vezes dizem: “Tia! Quando eu crescer, quero ser como você, quero ter um cachorro assim”. Para ela, esse tipo de feedback é “o lado positivo” da visibilidade.
Quando questionados sobre se se consideram celebridades, a resposta é unânime e firme: não. Mário de Marco, com clareza, distingue sua imagem pública de sua vida pessoal. “Não sou uma celebridade, não sou um artista, não comercializo uma imagem. Estou lá para representar um trabalho. O que faço na vida pessoal, onde vou, se gosto de soltar pipa ou não, isso não é relevante”, afirma.
Ele enfatiza que sua identidade pública está profundamente conectada à sua função. “Eu sou o Demarco que trabalha na Receita, que realiza aquela atividade, e por isso sou conhecido. A Receita me proporcionou isso”.
Angelito concorda e vai além, expressando preocupação com a idealização excessiva. “Quando as pessoas começam a me ver como alguém especial, eu tento desmistificar isso”. Seu discurso reflete humildade e reconhecimento do trabalho em equipe. “A diferença entre eu e você é que filmaram meu trabalho. Assim como estou lá, há milhares de outros auditores e analistas que fazem um trabalho tão bom quanto o meu”.
Se a fama não é o foco, qual é a verdadeira recompensa? Para eles, é evidente: a oportunidade de transformar a percepção pública sobre o órgão e inspirar as novas gerações. “Nosso retorno é mostrar o que a Receita faz”, reflete Demarco. “As pessoas compreendem o que antes não entendiam, e isso traz um sentimento de grande aprovação. Sendo servidores públicos, recebemos feedback do nosso cliente, que é a sociedade, sobre nosso trabalho”.
Angelito se emociona ao mencionar o impacto que têm na escolha profissional dos jovens. “São pessoas que dizem: ‘Eu não sabia o que queria, mas agora sei, quero ser como você'”. Ele compartilha a história de um colega, Lourenço, que o contatou nas redes sociais, inspirado pelo programa, estudou, passou no concurso e agora trabalha ao seu lado no Rio de Janeiro. “É um caso emblemático de realização”.
Entre piadas sobre testes que “dão positivo para cocaína” e a frustração dos passageiros que não encontram todo o “elenco” no aeroporto, fica evidente que Aeroporto: Área Restrita criou uma conexão única entre o Estado e o cidadão. Contudo, seus protagonistas permanecem com os pés no chão, lembrando que sua maior conquista não é o reconhecimento individual, mas o sucesso coletivo de um trabalho que agora é visto e respeitado em todo o Brasil.