Uma mancha aparentemente inofensiva no braço foi o primeiro indício de um câncer severo enfrentado pelo brasiliense Gustavo Aquino Queiroz, que atualmente tem 29 anos. O diagnóstico ocorreu quando ele ainda era uma criança, com apenas 4 anos: linfoma linfoblástico não-Hodgkin, um tipo de câncer agressivo que progride rapidamente e afeta o sistema imunológico.
Gustavo, que atua na área de recursos humanos, recorda que os primeiros sinais da doença foram sutis. No início, ninguém suspeitava que a mudança na pele pudesse ter um significado tão sério. A busca por respostas levou a criança a consultar sete médicos antes que a verdadeira causa fosse descoberta. “Um deles acreditou que se tratava de um hemangioma e disse à minha família que provavelmente sumiria com o tempo”, relembra. O processo de investigação prosseguiu até que exames mais aprofundados confirmaram o câncer.
O linfoma linfoblástico não-Hodgkin se origina no sistema linfático, uma rede de vasos, órgãos e linfonodos que desempenha um papel crucial na defesa do corpo contra infecções. Segundo a hepatologista Eloiza Quintela, consultora médica do Grupo Chavantes, esse tipo de linfoma se destaca pelo rápido crescimento das células do sistema imunológico.
A especialista explica que essa forma de linfoma tem características que a diferenciam de outros tipos, sendo geralmente mais agressiva, envolvendo células muito imaturas e afetando com maior frequência jovens. Embora possa surgir em qualquer faixa etária, é mais prevalente em crianças, adolescentes e adultos jovens, especialmente no sexo masculino. Os sintomas podem ser confundidos com infecções ou problemas menos sérios, como gripes fortes, o que pode atrasar o diagnóstico.
De acordo com o Ministério da Saúde, os linfomas pertencem a um grupo de cânceres que afetam o sistema linfático e podem se desenvolver em várias partes do corpo. Embora os linfonodos sejam os locais mais conhecidos de manifestação da doença, o linfoma linfoblástico pode atingir outros órgãos, entre os quais estão a medula óssea, fígado, baço e sistema nervoso central.
A confirmação do diagnóstico é feita por meio de exames específicos, principalmente biópsias, que ajudam a identificar o tipo de linfoma. Após a confirmação, exames adicionais são realizados para determinar o estágio da doença e direcionar o tratamento. No caso de Gustavo, a investigação incluiu biópsias de linfonodo, mielograma, biópsia de medula óssea e exames de imagem. O tratamento foi extenso e intenso, e ele passou a maior parte do tempo no hospital até os 8 anos, quando finalmente recebeu alta.
Ele recorda que sua mãe, Vanessa Porto Aquino, esteve sempre ao seu lado durante todo esse processo. O tratamento envolveu quimioterapia, similar à utilizada em alguns tipos de leucemia, além de radioterapia e transplante de medula óssea.
Hoje, mais de 20 anos após o diagnóstico, Gustavo leva uma vida normal, com apenas uma cicatriz no braço como lembrança da cirurgia para remoção do tumor. Segundo Eloiza, mesmo após a remissão, o acompanhamento médico é fundamental. Pacientes com histórico de câncer devem estar atentos a sinais que possam indicar uma possível recidiva, como o reaparecimento de ínguas, febre sem explicação, perda de peso e fadiga intensa.
Gustavo não vive com receio de uma recaída, mas acredita que estar atento aos sinais do corpo é crucial. “Nada deve ser desconsiderado. Exames de rotina e qualquer queixa merecem investigação”, afirma.
A vivência com a doença também moldou sua trajetória profissional: ele trabalhou quase uma década na área hospitalar e, segundo ele, a experiência como paciente o ensinou sobre a importância do acolhimento no atendimento: “Compreendo a relevância de ter um profissional preparado e disposto a apoiar o paciente e sua família.”
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