Identificar o câncer colorretal em suas fases iniciais é crucial para aumentar as probabilidades de cura e a variedade de tratamentos disponíveis. Quando a doença é diagnosticada precocemente, o tumor geralmente permanece restrito ao intestino, permitindo intervenções mais eficazes e menos invasivas.
A oncologista Alessandra Leite, do Hospital Santa Lúcia, destaca que a detecção precoce transforma completamente o prognóstico do paciente. Muitas vezes, o câncer colorretal se desenvolve de maneira silenciosa, o que torna a realização de exames de rastreamento essencial, mesmo para aqueles sem sintomas visíveis. Nos estágios iniciais, a doença pode não apresentar sinais, mas conforme o tumor cresce, podem surgir mudanças nos hábitos intestinais, dor abdominal, cólicas, sangramentos nas fezes e até perda de peso.
A colonoscopia é o principal exame para a detecção precoce do câncer colorretal. Além de identificar tumores, esse procedimento permite a remoção de pólipos, que são lesões que podem preceder a doença. Este exame deve ser realizado a partir dos 45 anos por toda a população, conforme recomendação médica.
Alessandra Leite também alerta que indivíduos com histórico familiar de câncer colorretal devem iniciar o acompanhamento mais cedo. “Se houver casos de câncer colorretal em familiares jovens, os parentes de primeiro grau devem começar o rastreamento 10 anos antes da idade em que o familiar foi diagnosticado”, orienta.
O diagnóstico precoce não apenas aumenta as chances de cura, mas também expande as opções de tratamento, incluindo alternativas menos invasivas. O médico radiologista intervencionista Charles Zurstrassen, que lidera a Radiologia Intervencionista no A.C.Camargo Cancer Center, afirma que essas técnicas são aplicáveis tanto no diagnóstico quanto no tratamento da doença. Ele menciona que pode-se usar essas abordagens para tratar metástases, especialmente no fígado, que é frequentemente afetado pelo câncer colorretal.
Quando pequenas lesões são detectadas precocemente, alguns procedimentos minimamente invasivos podem ter intenção curativa. “As chances de cura do câncer colorretal podem ultrapassar os 90% nas fases iniciais. Se as metástases forem identificadas ainda em tamanho reduzido, especialmente no fígado ou nos pulmões, é viável considerar tratamentos minimamente invasivos com intenção curativa”, afirma Zurstrassen. Dentre as principais técnicas, destacam-se a ablação por radiofrequência e por micro-ondas, especialmente para tumores menores que três centímetros. Quanto menores forem o tumor e o número de lesões, maiores são as chances de aplicar abordagens menos agressivas, resultando em uma recuperação mais rápida e menos impacto na qualidade de vida.
Apesar dos progressos no diagnóstico e tratamento, especialistas apontam que um dos principais desafios continua sendo a ampliação do acesso aos exames de rastreamento. Para Alessandra Leite, essa questão envolve tanto a falta de informação quanto barreiras estruturais. “O câncer colorretal é uma doença bastante comum e estamos vendo um aumento de casos em jovens. Portanto, é fundamental realizar a detecção mesmo na ausência de sintomas”, ressalta. Ela destaca que, no sistema público de saúde, a dificuldade de acesso à colonoscopia ainda representa um dos principais obstáculos para o avanço do diagnóstico precoce no país. Enquanto isso, médicos enfatizam que a conscientização da população é uma das ferramentas mais importantes para transformar o cenário da doença.
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