Nos últimos 20 anos, o número de brasileiros diagnosticados com diabetes mais que dobrou. De acordo com a mais recente edição do Vigitel, um sistema do Ministério da Saúde, 12,9% da população adulta, cerca de 20 milhões de pessoas, vivia com a doença em 2024. Em 2006, quando as medições começaram, a prevalência era de 5,5%, evidenciando um aumento expressivo de 134,5% nesse período. A Organização Mundial da Saúde (OMS) também revela que 14% da população adulta global lida com a diabetes.
Um estudo financiado pela OMS e publicado na revista The Lancet indica que, entre 1990 e 2022, o número de adultos com diabetes quadruplicou no mundo. Esse crescimento é principalmente atribuído ao aumento do diabetes tipo 2, que está ligado a hábitos de vida inadequados. No Brasil, aproximadamente 90% dos casos são de diabetes tipo 2, frequentemente associados a sobrepeso, alimentação inadequada e sedentarismo. Essa condição surge quando o organismo produz menos insulina ou não a utiliza de maneira eficaz, resultando em níveis elevados de glicose no sangue.
O diabetes tipo 1, embora menos frequente, tem uma causa autoimune e requer uso constante de insulina. A elevação dos diagnósticos foi mais acentuada entre os homens, com um aumento de 143,5%, em comparação a 127% entre as mulheres nos últimos 18 anos. Especialistas apontam que a antecipação do diagnóstico em idades mais jovens está ligada à deterioração da alimentação, à redução da atividade física cotidiana e ao aumento da obesidade.
Os dados do Vigitel também revelam um aumento significativo nos principais fatores de risco para diabetes no Brasil. Atualmente, 62,6% da população adulta apresenta excesso de peso, um aumento de 46,9% desde 2006. A obesidade, por sua vez, cresceu 117,8%, afetando 25,7% dos brasileiros, ou seja, uma em cada quatro pessoas. A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem) considera o excesso de peso um dos principais responsáveis pelo aumento das taxas de diabetes e outras doenças crônicas no país.
Apesar de um maior número de pessoas afirmarem praticar exercícios de forma recreativa, a atividade física relacionada ao deslocamento, como caminhar ou andar de bicicleta para o trabalho ou escola, diminuiu nos últimos anos. Além disso, a ingestão regular de frutas e verduras permanece baixa, em torno de 31% da população. Outros indicadores são preocupantes: o consumo de álcool aumentou 30% desde 2006, e o tabagismo, que vinha em queda, voltou a crescer após 2019.
Em uma nova abordagem, o Vigitel também apresentou dados sobre o sono: 20,2% dos adultos dormem menos de seis horas por noite, e quase um terço deles apresenta sintomas de insônia, fatores associados ao aumento do risco metabólico. Entre 2006 e 2024, a média de crescimento dos casos de diabetes no Brasil foi de 0,35% ao ano. Contudo, nos últimos cinco anos, essa taxa quase triplicou, atingindo 0,90% ao ano, indicando uma aceleração recente da doença no país.
Diante desse cenário alarmante, o Ministério da Saúde lançou a iniciativa Viva Mais Brasil, focada na promoção da saúde e na prevenção de doenças crônicas, anunciando um investimento de R$340 milhões para incentivar a prática de atividades físicas e melhorar a qualidade de vida da população. Entre as ações planejadas está a revitalização do programa Academia da Saúde, com novos repasses previstos a partir de 2026. Especialistas alertam que, sem políticas públicas mais eficazes para garantir acesso à alimentação saudável, atividade física e fortalecimento da atenção básica, a tendência é que os casos de diabetes continuem a subir nos próximos anos.