O jejum intermitente tornou-se uma abordagem popular para emagrecimento e melhoria de indicadores metabólicos. Com o aumento da esteatose hepática, uma condição que se desenvolve de forma silenciosa, surge a questão sobre o impacto desse método alimentar na diminuição da gordura hepática.
A esteatose hepática ocorre quando há um acúmulo excessivo de gordura nas células do fígado e é atualmente um dos problemas hepáticos mais comuns. Segundo o endocrinologista Ricardo Barroso, diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM-SP) em São Paulo, o jejum intermitente pode ser uma alternativa válida, desde que o paciente consiga se adaptar a essa prática.
Existem mecanismos fisiológicos que ajudam a entender como esse método pode beneficiar o fígado em determinadas situações. No entanto, o médico ressalta que os efeitos devem ser avaliados com cautela. “Quando ajustamos os resultados para perdas de peso equivalentes, o jejum não se mostra superior às dietas tradicionais”, afirma Barroso.
A nutricionista Caroline Romeiro, gerente técnica do Conselho Federal de Nutrição (CFN), complementa que o foco não deve estar apenas no jejum, mas sim nos resultados metabólicos que ele pode proporcionar. “As evidências científicas mostram que a redução da gordura no fígado está principalmente relacionada à perda de peso e à diminuição do consumo calórico a longo prazo”, explica.
Caroline destaca que quando o jejum resulta em um emagrecimento sustentável, há uma melhoria na gordura hepática e nos exames de enzimas do fígado. “Entretanto, os resultados geralmente são similares aos obtidos com outras estratégias de restrição calórica bem implementadas. O que realmente importa é o déficit calórico, e não necessariamente o jejum em si”, esclarece.
Os mecanismos que contribuem para a melhora da esteatose hepática são bem conhecidos e não são exclusivos do jejum intermitente. Caroline explica que a perda de peso reduz a gordura acumulada no tecido adiposo, especialmente na região abdominal, o que diminui o envio de ácidos graxos para o fígado.
Um outro aspecto relevante é a resistência à insulina, comum entre pessoas com esteatose. “Quando essa resistência melhora, o fígado tende a produzir menos gordura nova e a regular melhor o metabolismo da glicose e dos lipídios”, diz a nutricionista.
Durante os períodos de jejum, o corpo geralmente utiliza mais gordura como fonte de energia, o que pode ajudar a reduzir os estoques, desde que haja um déficit calórico real.
Apesar dos potenciais benefícios, os especialistas alertam que o jejum intermitente não é seguro para todos os pacientes com gordura no fígado. Caroline enfatiza que essa estratégia deve ser avaliada de forma individual. O endocrinologista Ricardo Barroso também destaca que, em estágios mais avançados da doença hepática, especialmente quando há risco de cirrose, o jejum pode apresentar riscos. “Nesses casos, há possibilidade de agravar a sarcopenia, a desnutrição e a perda de massa muscular, tornando essa abordagem inadequada”, conclui o médico.
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