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Sangue raro: por que certos tipos são tão escassos?

Rafaela Felicciano/ Metrópoles

Alguns grupos sanguíneos são tão raros que encontrar um doador compatível pode se transformar em uma tarefa complicada, especialmente em situações de emergência. No Brasil, tipos como AB negativo, além de fenótipos como o Bombay e o Rh nulo, figuram entre os mais escassos nos bancos de sangue.

Essa raridade pode ocorrer devido à presença de marcadores genéticos específicos ou à ausência de antígenos comuns na população. “Indivíduos que não possuem um marcador prevalente enfrentam mais dificuldades para localizar sangue compatível quando necessitam de transfusões”, esclarece o hematologista Diogo Kloppel Cardoso, do Hospital Brasília, localizado em Águas Claras.

Dentre os tipos sanguíneos mais reconhecidos, o AB negativo é o mais raro no Brasil, atingindo menos de 1% da população. Outros tipos, como B negativo e A negativo, também são considerados escassos, embora sejam um pouco mais frequentes.

Além dos sistemas ABO e Rh, existem fenótipos raros, que são variações genéticas que tornam o sangue ainda mais exclusivo. Casos como o tipo Bombay, que só pode receber transfusões de outro doador Bombay e carece de um antígeno específico, e o Rh nulo, conhecido como “sangue dourado”, que é encontrado em menos de 50 pessoas no mundo, são exemplos de extrema raridade.

A distribuição dos tipos sanguíneos varia conforme fatores étnicos e regionais. “Os tipos negativos são mais prevalentes entre pessoas de ascendência europeia, aparecendo com maior frequência no Sul e Sudeste do Brasil. Por outro lado, fenótipos como o Duffy negativo são mais comuns entre pessoas negras, enquanto o Diego negativo é mais frequente em populações indígenas”, detalha Cardoso.

Possuir um tipo sanguíneo raro pode dificultar o acesso a transfusões em situações urgentes. “Quando um paciente possui um tipo raro, as chances de encontrar rapidamente uma bolsa compatível diminuem significativamente, simplesmente porque há menos doadores com esse mesmo tipo”, afirma o hematologista.

Se não houver estoques disponíveis em hospitais ou bancos de sangue convencionais, pode ser necessário recorrer a bancos especializados ou buscar doadores em outros estados, um processo que pode ser demorado. “E, em uma emergência, o tempo é um recurso extremamente valioso”, ressalta.

Para mitigar esse problema, os bancos de sangue monitoram doadores raros e mantêm um contato frequente com eles. “Em algumas situações, bolsas de sangue raras são congeladas e armazenadas por longos períodos para uso emergencial”, explica o hematologista Ivan Furtado, especialista em transplante de medula no Rio de Janeiro.

Pessoas com sangue raro têm a opção de se registrar em cadastros nacionais, como o da Hemorrede Pública Nacional. O registro começa com uma doação comum em um hemocentro, onde são realizados testes laboratoriais avançados. Se um tipo raro for identificado, o doador é convidado a participar do cadastro.

Esse registro requer o consentimento do doador, a coleta de dados genéticos e um monitoramento constante para garantir que ele possa ser contatado rapidamente quando necessário. Em algumas situações, novas amostras são coletadas periodicamente para manter estoques congelados.

Há também um esforço internacional de colaboração. O Brasil faz parte do International Rare Donor Panel, mantido pela Organização Mundial da Saúde, que permite a troca de informações entre países, facilitando o acesso global a sangue raro quando a compatibilidade não é encontrada localmente.

Para os especialistas, essa é uma iniciativa em rede que preserva vidas. “Para aqueles que possuem sangue raro, manter-se como doador ativo é um gesto de generosidade e uma forma de garantir proteção tanto para si quanto para outros que dependem desse ato”, conclui Cardoso.

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Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade