O Carnaval de Belo Horizonte perdeu, nesta segunda-feira (27), seu monarca mais resiliente. Wallace Guedes, o Rei Momo que governou a folia mineira em 2020, 2024 e 2026, morreu aos 39 anos na Santa Casa de Misericórdia. Ele tratava uma leucemia descoberta logo após o último fechamento de chaves da cidade.
A trajetória de Guedes, marcada pela transição das calçadas do Aglomerado da Serra para o posto de majestade do samba, resume a força da festa popular em Minas Gerais.
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Do Aglomerado para a Sapucaí
A história de Wallace Guedes guarda o enredo de uma superação clássica. Ex-morador de rua e natural do Aglomerado da Serra, ele encontrou no samba o ponto de virada em 2011.
Ao entrar para a comissão de frente da escola Canto da Alvorada, iniciou um processo de retomada pessoal:
Finalizou os estudos pelo sistema de Educação de Jovens e Adultos (EJA);
Graduou-se em Educação Física;
Tornou-se o primeiro mineiro a desfilar oficialmente como muso no Carnaval do Rio de Janeiro.
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O Triunfo da Coroa
O acesso ao trono não foi imediato. Foram três tentativas até Guedes ser coroado pela primeira vez, em 2020.
No comando da Corte Real, ele personificou a figura do “dono” simbólico da capital mineira, sendo responsável por ditar o ritmo da alegria e da irreverência durante os dias de desfile.
A Luta nos Bastidores
A saúde do artista deu os primeiros sinais de alerta ainda durante os blocos de 2026, com episódios de indisposição e vômitos. O que parecia ser o desgaste natural da folia evoluiu para uma inflamação severa na garganta e prostração no mês de março.
A internação ocorreu em 6 de abril, no Hospital João XXIII, com transferência posterior para a Santa Casa. Ali, o diagnóstico de leucemia mobilizou a cidade em uma rede de doação de sangue e plaquetas, incentivada pelo próprio carnavalesco em seus perfis digitais.
O Legado do Rei
Guedes definia a si mesmo como um símbolo político: preto, homossexual e vindo da periferia. Sua presença no posto de Rei Momo subverteu a estética tradicional do cargo e consolidou o Carnaval de Belo Horizonte como um espaço de representatividade.
A Belotur confirmou o óbito e prestou homenagens ao artista. Informações sobre o velório e as cerimônias de despedida ainda dependem de confirmação da família.