O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), manifestou nesta quarta-feira, 30 de outubro, sua oposição aos vazamentos seletivos de informações de investigações em andamento na Corte, reiterando críticas feitas anteriormente sobre o tema. Durante a sessão de abertura do dia, Mendes fez um discurso em homenagem ao primeiro ano do mandato do atual presidente do STF, Edson Fachin, e aproveitou a ocasião para reforçar sua preocupação com a conduta de divulgação de informações sigilosas, que, segundo ele, possuem objetivos políticos ou eleitorais.
Na ocasião, Mendes destacou que os vazamentos, exemplificados pelo caso conhecido como Master, representam uma prática que compromete a integridade do processo judicial e prejudica a credibilidade do Supremo. Ele comparou esses episódios às investigações da Operação Lava Jato, ressaltando que, na época, sob a relatoria de Fachin, as investigações foram conduzidas com equilíbrio, sem vazamentos seletivos ou uso político-eleitoral das informações. Segundo o ministro, durante a Lava Jato, não houve notícias de vazamentos que comprometesse a confidencialidade ou que indicassem manipulação dos processos por interesses externos ao Judiciário.
Gilmar Mendes também afirmou acreditar que Fachin, que completou um ano à frente do STF, tem potencial para fortalecer a Corte com rigor e imparcialidade. Ele reforçou que, apesar das divergências de entendimento entre os ministros do Supremo, há uma unidade fundamental na convicção de que o juiz não deve atuar como parte ou instrumento de interesses políticos. Mendes destacou que, ao longo de sua trajetória, os votos dele e de Fachin muitas vezes divergiram, mas sempre mantiveram o compromisso com a independência judicial.
A crítica de Mendes ao vazamento seletivo de informações não é nova. Ela foi reiterada na sessão do dia 15 de outubro, quando acusou o então relator do caso Master, ministro André Mendonça, de divulgar de forma seletiva trechos da investigação que citavam o ministro Alexandre de Moraes. Segundo Mendes, essa condução do tema revelou um “inequívoco viés político-eleitoral”, o que, na sua avaliação, compromete a imparcialidade do processo e a integridade do Judiciário.
Essas manifestações reforçam a preocupação do ministro Gilmar Mendes com a transparência e a ética no âmbito das investigações judiciais, especialmente em casos de alta complexidade e relevância política, como o caso Master. A discussão sobre vazamentos seletivos e o uso político de informações sigilosas permanece em evidência no cenário do STF, refletindo o debate mais amplo sobre a autonomia e a responsabilidade do Judiciário na condução de investigações de grande repercussão pública.