Uma pesquisa inédita realizada pelo Estúdio Clarice, Estratégia Latina e Instituto Ideia revela que mais de 50% das mulheres no Brasil são afetadas direta ou indiretamente pelas apostas online. Os dados indicam que 42% delas já participaram de jogos de azar ou continuam a jogar, enquanto 12% são impactadas por parentes ou amigos que apostam, demonstrando que o fenômeno atinge uma parcela significativa da população feminina, mesmo aquelas que não apostam diretamente.
O estudo, intitulado “Mulheres e Bets: o custo das apostas online para as brasileiras e suas famílias”, foi divulgado nesta segunda-feira, dia 17 de outubro, e apresenta uma análise aprofundada do relacionamento das mulheres com o universo das apostas. Entre as participantes, 72% possuem filhos, o que evidencia o impacto potencial dessas práticas na dinâmica familiar e na gestão do orçamento doméstico.
No recorte racial, a pesquisa revela que 45% das mulheres autodeclaradas pardas estão entre as apostas, seguidas por 39% de mulheres brancas e 37% de mulheres pretas. Esses números mostram uma distribuição relativamente equilibrada entre diferentes grupos raciais, refletindo a ampla abrangência do fenômeno.
Um dos aspectos mais relevantes apontados pelo estudo é a motivação das mulheres ao apostar. Diferentemente do perfil de lazer ou entretenimento frequentemente associado às apostas, muitas delas encaram essa prática como uma estratégia de gestão financeira e até de sobrevivência. O objetivo principal dessas apostas é cobrir despesas essenciais do cotidiano, como pagamento de boletos, compra de alimentos ou itens para os filhos, ao invés de buscar uma vida de luxo ou ganhos financeiros expressivos.
O impacto das apostas online na vida familiar também é um ponto de destaque na pesquisa. Além do endividamento, que é uma consequência comum do consumo excessivo de apostas, há uma deterioração das relações afetivas e familiares. As mulheres, muitas vezes responsáveis pelo gerenciamento das contas domésticas, acabam sofrendo duplamente, pois lidam tanto com as dificuldades financeiras quanto com os desgastes emocionais que a prática pode gerar.
Outro dado relevante é a postura em relação à proibição das apostas. Enquanto 50% dos homens apoiam a proibição, o percentual entre as mulheres é mais elevado, chegando a 62%. Essa diferença reflete uma maior preocupação feminina com os efeitos negativos das apostas online, que também podem contribuir para o aumento de conflitos familiares e problemas de saúde mental.
A pesquisa foi conduzida por meio de estudos qualitativos e quantitativos realizados em junho e agosto deste ano, buscando compreender o perfil, as motivações e as consequências do envolvimento das mulheres com as apostas online no Brasil. Os resultados reforçam a necessidade de políticas públicas e ações de conscientização voltadas para esse grupo, considerando o impacto social e familiar que a prática pode acarretar.