A Polícia Federal (PF) deu início à segunda fase da Operação Disclosure nesta quinta-feira (25), com o objetivo de investigar uma fraude bilionária envolvendo as Lojas Americanas. A ação conta com o suporte do Ministério Público Federal (MPF) e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Em decorrência da investigação, a Justiça determinou o bloqueio de bens e valores que podem chegar até R$ 54 bilhões.
A operação inclui o cumprimento de nove mandados de busca e apreensão, além de buscas pessoais, em locais situados no Rio de Janeiro e em São Paulo. O foco das investigações é apurar a possível participação de acionistas da Americanas e representantes de instituições financeiras no esquema fraudulento.
De acordo com informações divulgadas pela PF, a investigação busca esclarecer a atuação de ex-executivos da varejista em um esquema que teria manipulado as demonstrações financeiras da empresa. O objetivo dessa manipulação seria inflar os lucros e ocultar dívidas, visando valorizar as ações da companhia na Bolsa de Valores.
A PF detalhou que os suspeitos tinham conhecimento sobre as supostas fraudes contábeis, que ocorreram ao longo de vários anos. Essas fraudes estariam relacionadas a operações de “risco sacado” e a contratos de verba de propaganda cooperada (VPC), que teriam sido contabilizados sem respaldo econômico adequado. Esses contratos, segundo a investigação, foram utilizados para distorcer os resultados financeiros apresentados ao mercado.
Conforme informações do colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, diversos executivos de instituições bancárias estão sendo investigados no âmbito da operação. A lista dos alvos inclui pessoas que podem ter colaborado ou facilitado a prática das fraudes.
A apuração revela que o esquema operava de maneira a permitir que a Lojas Americanas encomendasse uma quantidade significativa de produtos de fabricantes por um valor acordado. Após essa encomenda, a varejista impunha condições, como a exposição privilegiada dos produtos nas lojas e a definição de metas de vendas, que poderiam distorcer a realidade das transações.
Outro aspecto relevante da investigação é a prática do risco sacado, que envolve uma triangulação no financiamento de fornecedores. Essa prática consiste na antecipação de créditos que os fornecedores têm a receber por meio de bancos. Embora essa operação seja comum no setor, a PF aponta que a Lojas Americanas teria realizado fraudes nas transações, o que agrava a situação da empresa.
A Operação Disclosure é um desdobramento das investigações que já haviam sido iniciadas anteriormente, e a magnitude dos valores envolvidos e a complexidade do esquema despertam a atenção das autoridades e do mercado financeiro. A continuidade das investigações poderá trazer novos desdobramentos e implicações para os envolvidos no caso, além de afetar a reputação da Lojas Americanas e de seus parceiros comerciais.