O mercado de crédito voltado para condomínios tem apresentado crescimento significativo, e a fintech Cerus, com sede em Fortaleza e atuação em todo o Brasil, anunciou a captação de R$ 300 milhões por meio de um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios Não Padronizados (FIDC NP). Os recursos serão utilizados para oferecer empréstimos a condomínios residenciais e comerciais, fortalecendo sua posição neste setor em expansão.
De acordo com o fundador da Cerus, Macedo, o mercado de crédito para condomínios ainda é subexplorado, apesar do aumento da concorrência, que inclui a entrada de grandes instituições financeiras. Ele destaca que a previsão é de que, até 2026, o Brasil gere aproximadamente R$ 320 bilhões em taxas condominiais. Esse cenário apresenta oportunidades significativas para empresas que atuam nesse nicho.
O principal produto da Cerus é a linha de crédito denominada “receita garantida”. Esta modalidade permite que síndicos antecipem o valor total da taxa de condomínio na data acordada, independentemente da pontualidade dos pagamentos pelos moradores. Em contrapartida, a fintech cobra uma taxa de serviço. Outro produto relevante oferecido pela empresa é um crédito destinado a reformas estruturais, modernizações e manutenções emergenciais, que atende à demanda crescente por melhorias nos condomínios.
Macedo ressalta que, embora a inadimplência dos condôminos seja um fator que impulsiona a busca por soluções de crédito, não é o único. Ele explica que síndicos de condomínios com baixa inadimplência também têm procurado a Cerus para evitar possíveis desgastes nas cobranças e garantir uma melhor previsibilidade financeira.
A Cerus emite cerca de 200 mil boletos mensalmente, o que resulta em uma receita recorrente aproximada de R$ 100 milhões em antecipações por mês. O FIDC é o instrumento que financia os direitos creditórios gerados pela fintech em suas operações. A empresa cede esses créditos ao fundo, que proporciona a capacidade financeira necessária para a ampliação das operações conforme o plano de expansão.
O fundo conta com a participação de cotistas como a M7 e a Mirabaud, esta última pertencente a um family office do grupo internacional Mirabaud, com 200 anos de experiência no mercado. A IGC Partners também esteve envolvida diretamente na estruturação e captação de recursos para o FIDC.
A Cerus planeja aplicar os recursos obtidos no FIDC ao longo de aproximadamente 18 meses. As estratégias incluem a expansão para os estados do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais, com a criação de uma estrutura comercial local para atender a demanda. Macedo informou que a expectativa é iniciar essa expansão até o final de 2026 ou, no máximo, no início de 2027, consolidando ainda mais a presença da fintech no mercado de crédito para condomínios.