O fundo Eagle Eye Investments, parte de uma rede de fundos vinculados ao Banco Master e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, comunicou à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que possui uma participação acionária de R$ 113,7 milhões na FRBS Participações S.A., a empresa responsável pelo licenciamento da marca Forbes no Brasil. A informação foi inicialmente divulgada pelo jornal Folha de S.Paulo.
Em resposta à reportagem, Katarina Camarotti, representante da Forbes Brasil, afirmou que desconhece a documentação apresentada pelo fundo à CVM e contestou a veracidade da informação. “Não temos conhecimento do porquê isso aconteceu. O que posso afirmar novamente é que isso que foi reportado está errado”, declarou. A defesa de Vorcaro optou por não comentar o assunto no momento, prometendo se manifestar em uma ocasião futura.
Relações com veículos de imprensa
Nos últimos meses, o Estadão destacou que Vorcaro e o Banco Master mantiveram diversas relações financeiras e societárias com veículos de comunicação, incluindo PlatôBR, Brazil Journal, revista Isto É, e os portais Metrópoles e Léo Dias. O fundo Eagle Eye está associado ao fundo Astralo 95, que foi alvo de um protesto judicial em março, visando proteger bens relacionados ao banco e a Vorcaro, em um esforço para ressarcir credores prejudicados por alegadas fraudes financeiras.
A Reag Investimentos, a administradora do Eagle Eye, foi liquidada extrajudicialmente pelo Banco Central no início deste ano e está sob investigação da Polícia Federal por supostas fraudes envolvendo fundos que geria. A CVM exige que os fundos de investimento apresentem relatórios financeiros periódicos, e o Eagle Eye enviou uma demonstração financeira em novembro de 2024, que abrange o período de 10 de outubro a 30 de novembro do mesmo ano. A Reag informou que o fundo detinha 100% das ações da FRBS Participações, totalizando 225.349 unidades, avaliadas em R$ 113,7 milhões.
Mútuo e controvérsias
As ações foram adquiridas por meio de um contrato de mútuo, um tipo de empréstimo que é pago com ações da empresa em vez de dinheiro. Entretanto, Katarina negou a existência de um mútuo dessa magnitude na Forbes Brasil e afirmou que Vorcaro e o Banco Master não têm participação na empresa. O sistema da CVM também indica que o Eagle Eye possui R$ 100 milhões em um contrato de mútuo conversível em ações, mas a empresa correspondente não foi identificada, e o contrato está vinculado a um CNPJ inexistente.
Além disso, a demonstração financeira menciona um acordo para que Antonio Camarotti, controlador da FRBS, venda parte de suas ações diretamente ao Eagle Eye, gerando confusão, uma vez que o fundo já detinha 100% das ações da Forbes Brasil. Registros da Junta Comercial de São Paulo mostram que apenas Antonio e Katarina foram identificados como acionistas da empresa, sem qualquer menção ao Eagle Eye.
Dividendos e investigações
Em dezembro de 2025, a FRBS aprovou a distribuição de R$ 16 milhões em dividendos aos acionistas, que não foram especificados. Antonio e Katarina atuaram como presidente e secretária, respectivamente, na assembleia que tomou essa decisão. A Polícia Federal investiga as atividades de Vorcaro, incluindo sua tentativa de controlar a cobertura da mídia durante as dificuldades enfrentadas pelo Banco Master. Mensagens obtidas pela polícia indicam que ele buscava influenciar a narrativa em veículos de imprensa.
Vorcaro também se envolveu em situações controversas, como a reclamação sobre uma reportagem do Portal Leo Dias, que foi removida após sua intervenção. A Polícia Federal investiga se o site O Bastidor recebeu compensações financeiras de Vorcaro para a publicação de informações favoráveis a ele.
A conexão com a revista Isto É e a EntrePay, sua controladora, também está sob investigação, especialmente após a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central, que resultou em bloqueios financeiros e atrasos salariais. A possibilidade de Vorcaro ser um “dono oculto” da EntrePay está sendo apurada, assim como o envolvimento da empresa em financiamentos para a produção do filme “Dark Horse”, que retrata a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.