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Expectativa de desaceleração da inflação é analisada no IPCA-15

•07/03/2022 – REUTERS/Adriano Machado

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15), que serve como prévia da inflação, será divulgado nesta quinta-feira (25) e deve apresentar uma desaceleração em relação ao aumento de 0,62% registrado no mês anterior. Especialistas consultados pelo CNN Money projetam uma alta entre 0,41% e 0,55% para o indicador.

De acordo com André Braz, economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV), os principais responsáveis pela pressão inflacionária neste mês devem ser os preços da alimentação no domicílio, que devem registrar um aumento de 1,35%. Embora essa alta represente uma leve desaceleração em comparação a maio, ainda contribui para manter o índice inflacionário elevado. Outro setor que merece atenção é o de habitação, com uma projeção de alta de 0,91%, que também deve ajudar a sustentar a inflação em um patamar elevado.

Apesar da expectativa de desaceleração, ainda não é possível afirmar que a recente queda nos preços do petróleo tenha proporcionado um alívio significativo na inflação brasileira. Os contratos futuros de petróleo fecharam em baixa pelo terceiro dia consecutivo nesta quarta-feira (24), influenciados por sinais de normalização no Estreito de Ormuz e pelo avanço nas negociações entre os Estados Unidos e o Irã, após a assinatura de um memorando de entendimento.

O petróleo WTI (West Texas Intermediate) para agosto, negociado na Nymex (New York Mercantile Exchange), encerrou o dia com uma queda de 3,92%, cotado a US$ 70,34 por barril, com mínimos intradia abaixo dos US$ 70. Por sua vez, o petróleo Brent para setembro, que é a referência internacional e é negociado na ICE (Intercontinental Exchange de Londres), teve uma queda de 3,81%, fechando a US$ 73,87 por barril.

Em relação aos combustíveis, o etanol deve ser o principal fator de queda, com uma projeção de recuo de 5,91%, impulsionado pelo período de safra. A gasolina, por outro lado, deve se manter estável ou apresentar uma leve queda, o que indica que o grupo de transportes poderá ser menos negativo em comparação ao mês anterior.

Entretanto, os especialistas alertam que o IPCA-15 de junho ainda refletirá os efeitos negativos de aumentos anteriores, e qualquer alívio resultante da queda nos preços internacionais dos combustíveis deverá ser sentido apenas em índices futuros. Adriano Birle, economista responsável pelas análises de combustíveis e resinas plásticas da GEP Brasil, destaca que junho ainda será impactado pelo aumento do petróleo e pela guerra em andamento, com a estabilidade nos preços da gasolina e a queda do etanol.

Birle também menciona que o impacto indireto do aumento do diesel continuará a ser sentido nos próximos meses. Embora o preço do diesel tenha parado de subir, ele permanece significativamente acima dos níveis registrados em fevereiro. Esse aumento no diesel tende a ter um efeito de médio prazo no IPCA, uma vez que se reflete nos custos de frete, impactando os preços de alimentos e bens de consumo.

Gino Olivares, economista-chefe da Azimut Brasil Wealth Management, reforça que qualquer alívio nos preços do Brent em relação aos combustíveis será percebido apenas mais adiante. Ele ressalta que o governo implementou diversas medidas para evitar a elevação dos preços dos combustíveis, e, portanto, a expectativa de quedas significativas, mesmo com a redução dos preços internacionais, deve ser moderada.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade