Os Estados Unidos endureceram o cerco e ampliaram a fiscalização voltada para monitorar influenciadores digitais estrangeiros durante a Copa do Mundo. O país tenta coibir que criadores de conteúdo utilizem vistos de turista (B-2) para criar materiais para as redes sociais voltados para a monetização.
Segundo as autoridades locais, a geração de renda oriunda de conteúdos produzidos nos EUA pode ser caracterizada como atividade profissional – algo proibido pelo país com o visto. Isso porque o documento é voltado exclusivamente para turismo, lazer, tratamento médico ou visitas familiares.
À Itatiaia, o advogado Otávio Haverroth, especialista em imigração para os Estados Unidos e CEO da YOUSA Law Firm, citou que a medida tomada pelo país norte-americano representa um alerta importante para profissionais que costumam produzir conteúdo durante viagens internacionais.
“As autoridades americanas estão deixando claro que o visto de turista não pode ser utilizado para atividades que gerem renda ou tenham finalidade comercial”, disse o especialista.
Adiante, Otávio explicou a posição dos Estados Unidos e destacou que a fiscalização reforçada pode, realmente, implicar em uma deportação de influenciadores.
“Muitos criadores de conteúdo acreditam que a simples publicação de vídeos ou outros tipos de postagem não configura trabalho, mas, quando existe monetização, patrocínio, publicidade ou qualquer tipo de retorno financeiro relacionado ao conteúdo produzido durante a estadia nos Estados Unidos, a situação pode ser interpretada como exercício de atividade profissional”, iniciou.
“Em um momento de fiscalização reforçada por causa da Copa do Mundo, o risco de questionamentos na entrada do país e até de cancelamento do visto aumenta significativamente”, afirma Haverroth.
O especialista ressalta que cada caso deve ser analisado individualmente e que influenciadores que pretendem realizar coberturas profissionais do evento devem buscar orientação jurídica prévia para verificar a categoria migratória mais adequada.
As diretrizes de imigração para os Estados Unidos apontam como alternativa legal o uso do visto O-1. Este documento é voltado para indivíduos com “habilidades extraordinárias em áreas como artes, negócios ou esportes”.
Desta forma, é permitida a realização de atividades remuneradas nos EUA, como publicidade e produção comercial de conteúdo.
Os Estados Unidos são uma das três sedes da Copa do Mundo, ao lado de México e Canadá. Ao todo, 78 das 104 partidas do Mundial serão realizadas na “Terra do Tio Sam”, dentre elas, a grande decisão do torneio, marcada para o dia 19 de julho.