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Ancelotti completa 67 anos nesta quarta e vive expectativa por primeira Copa como técnico

Uns o chamam de Carletto. Outros preferem Don Carlo. Há quem adote o tradicional “Mr. Carlo”. No Brasil, porém, basta dizer Ancelotti para que todos saibam de quem se trata. Dono de uma das carreiras mais vitoriosas da história do futebol, o treinador italiano vive um momento inédito. Pela primeira vez, Carlo Ancelotti disputará uma Copa do Mundo como técnico principal de uma seleção. E nesta quarta-feira (10), em meio à preparação do Mundial, completa 67 anos.
O desafio ganha contornos ainda mais simbólicos porque acontece justamente à frente da seleção brasileira, maior campeã da história do torneio e protagonista de uma das lembranças mais marcantes da trajetória do italiano.
Natural de Reggiolo, na região da Emília-Romanha, Ancelotti iniciou sua história no futebol dentro de campo. Após os primeiros anos no Parma, destacou-se na Roma, onde conquistou o Campeonato Italiano. O auge como jogador, entretanto, aconteceu com a camisa do Milan.
No clube rossonero, integrou uma geração histórica e conquistou títulos importantes, incluindo dois troféus consecutivos da Liga dos Campeões, nas temporadas 1988/89 e 1989/90.
A trajetória como atleta já seria suficiente para colocá-lo entre os nomes respeitados do futebol italiano. No entanto, o que veio depois transformou Ancelotti em uma figura quase sem paralelos na história do esporte.
Ao longo de mais de três décadas como treinador, Ancelotti passou por 11 clubes e construiu uma coleção de títulos que poucos conseguiram igualar. Seu currículo reúne passagens por gigantes como Juventus e Milan, na Itália; Chelsea e Everton, na Inglaterra; Paris Saint-Germain, na França; Bayern de Munique, na Alemanha; e Real Madrid, na Espanha.
O italiano tornou-se o único técnico da história a conquistar os campeonatos nacionais das cinco principais ligas da Europa. Ao todo, são 15 títulos nacionais distribuídos entre diferentes países e gerações de equipes.
Se existe uma competição que ajuda a resumir a dimensão da carreira de Ancelotti, essa competição é a Liga dos Campeões. Ninguém venceu mais vezes o principal torneio de clubes do mundo. São sete títulos no total. Dois como jogador e cinco como treinador, um recorde absoluto na história da competição. A combinação de longevidade, adaptação e sucesso em diferentes culturas fez de Ancelotti uma referência para treinadores de todo o planeta.
Contudo, apesar do currículo praticamente impecável, existe uma lembrança que acompanha o italiano há mais de três décadas. Na final da Copa do Mundo de 1994, disputada justamente nos Estados Unidos, Ancelotti integrava a comissão técnica da Itália.
Naquele dia, viu de perto Roberto Baggio isolar a última cobrança de pênalti no Rose Bowl e entregar ao Brasil o tetracampeonato mundial. A imagem entrou para a história do futebol e também marcou a trajetória do atual comandante da Seleção Brasileira.
Assim, 32 anos depois, o destino o leva novamente aos Estados Unidos. Desta vez, porém, em uma posição completamente diferente. Se antes estava do lado derrotado, agora lidera justamente a seleção que o impediu de conquistar aquela Copa.
Poucos treinadores acumularam tantos títulos quanto Carlo Ancelotti. Ainda assim, a Copa do Mundo representa um território inexplorado para o italiano. A competição oferece a oportunidade de acrescentar mais um capítulo a uma trajetória já consagrada e, quem sabe, encerrar uma antiga pendência com a história.
No dia em que completa 67 anos, Ancelotti inicia sua primeira aventura em um Mundial de seleções, carregando a responsabilidade de conduzir o Brasil em busca do hexacampeonato.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade