Em fevereiro de 2026, Porto Alegre passou a contar com um novo símbolo arquitetônico e institucional. A Uniodonto Porto Alegre abriu as portas de sua nova sede administrativa na Avenida Independência, 914, em um edifício histórico que já abrigou a renomada estilista Mary Steigleder (1909–1985), um ícone da moda no Rio Grande do Sul. O espaço, meticulosamente restaurado, combina tradição e inovação, representando a conexão entre o passado e o futuro de uma cooperativa que se aproxima de seus 50 anos de história.
Construída entre o final do século XIX e o início do XX, a casa preserva vitrais e escadarias originais, elementos que reforçam o compromisso da Uniodonto com a herança cultural da cidade. A escolha do local não foi aleatória: a Avenida Independência é um dos pontos mais emblemáticos da capital, agora sede de um projeto que reflete a evolução do cooperativismo na odontologia.
Com 600 cooperados e 180 mil beneficiários, atuando em 68 municípios gaúchos, a Uniodonto Porto Alegre se destaca como a maior operadora de planos odontológicos do Sul do Brasil. Seu modelo assegura que o atendimento seja realizado pelos próprios dentistas associados, garantindo qualidade e proximidade no cuidado. A nova sede, com 1.602,57 m², abriga setores administrativos, financeiros, de saúde, além de áreas de gestão, comunicação, marketing e tecnologia da informação, oferecendo uma infraestrutura moderna e integrada.
Durante a cerimônia de inauguração, discursos emocionantes relembraram a origem do movimento nos anos 1970, quando jovens dentistas recém-formados se uniram para atender comunidades sem acesso à saúde bucal. Irno Augusto Preto, um dos fundadores do sistema, destacou: “Nos anos 70, a universidade era vista como a porta da riqueza. No entanto, optamos pelo caminho do cooperativismo para atender aqueles que não tinham acesso a um dentista. Hoje, a visão desta casa é a prova de que o coletivo é mais relevante que o individual.”
O presidente Dr. Julio César Cordova Maciel comentou que o cooperativismo odontológico surgiu de uma ideia simples, mas transformadora: “Um sonho, que começou com poucos, se concretizou. Hoje, novas lideranças estão à frente do cooperativismo, mas os princípios permanecem: ética, solidariedade e responsabilidade social.”
Outro momento significativo foi a fala do Dr. José Alves, presidente da Uniodonto do Brasil, que ressaltou a importância do cooperativismo como uma prática atual e vibrante: “O cooperativismo, conforme foi concebido em 1844, continua sendo moderno e relevante. Os princípios que guiaram os pioneiros ainda são válidos e transformam vidas. Esta casa não é apenas um edifício restaurado; é um espaço dedicado às pessoas, onde elas podem encontrar o que necessitam, fortalecendo nossa missão coletiva.”
Mais do que uma simples inauguração, o evento foi um ato repleto de simbolismo. A nova sede representa não só um prédio restaurado, mas a materialização de uma filosofia. Como enfatizou Irno Augusto Preto, “a odontologia requer a perfeição de um artista e a segurança de um cirurgião.” A odontologia, que começou focando no alívio da dor e no tratamento de cáries, agora também aborda harmonização facial e estética, mas sem perder de vista o princípio fundamental de atender com proximidade e humanidade.
Ao final da cerimônia, foi realizada a revelação de uma placa comemorativa, oficializando a inauguração da nova sede. O momento foi marcado por aplausos e emoção, simbolizando não apenas a abertura de um novo espaço físico, mas a consolidação dos valores e princípios que sustentam o cooperativismo odontológico. Também houve uma homenagem especial ao Dr. Irno Augusto Preto, reconhecido como um dos fundadores e pilares históricos da Uniodonto, cuja trajetória inspira novas gerações de profissionais e cooperados.
O que se presenciou na Avenida Independência foi muito mais do que tijolos e vitrais preservados. Foi a reafirmação de que o cooperativismo odontológico gaúcho não se destinou a ser um coadjuvante. Ele se firmou como protagonista, capaz de unir tradição e inovação, memória e futuro. A nova sede é, simultaneamente, um monumento e um manifesto: reflete a ideia de que o coletivo prevalece sobre o individual, que a memória deve caminhar lado a lado com a inovação, e que o cooperativismo é, acima de tudo, uma forma de viver.