Com um déficit bilionário, os Correios lideram o ranking de novas ações no Tribunal Superior do Trabalho nos últimos dois anos, totalizando aproximadamente 18 mil processos. A empresa estatal, que precisa de R$ 8 bilhões para equilibrar suas contas, mesmo após ter contraído R$ 12 bilhões em empréstimos, poderá enfrentar custos adicionais dependendo das decisões do TST.
Entre janeiro e outubro de 2025, foram registrados 8,5 mil novos processos trabalhistas envolvendo os Correios, conforme levantamento do jornal O Estado de S. Paulo. Deste total, 5,6 mil ações foram movidas pela própria empresa em resposta a decisões de instâncias inferiores, enquanto 2,9 mil foram iniciadas por funcionários contra a estatal. Em 2024, outros 9,3 mil processos na Corte mencionaram os Correios.
“Ao abranger o plano de reestruturação, estamos melhorando os controles e critérios relacionados aos passivos judiciais”, declarou a empresa.
Recentemente, no dia 22, o TST decidiu que os Correios devem indenizar um carteiro assaltado durante o trabalho. A Corte negou um recurso da estatal, que argumentou que não tinha responsabilidade pela “astúcia” dos criminosos e que o assalto era um “evento alheio” à sua gestão. A empresa afirmou que irá recorrer da decisão.
A decisão unânime da 8.ª Turma foi relatada pelo ministro Evandro Valadão. Em abril, o pleno já havia determinado que a atividade de entrega de correspondências e mercadorias “apresenta risco diferenciado em comparação ao trabalho em geral”. A empresa ressaltou que não poderia garantir segurança absoluta diante da criminalidade.
O presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, afirmou que a primeira etapa do plano de reestruturação visa recuperar o caixa até março de 2026. Segundo Rondon, sem intervenções, a previsão é de um prejuízo de R$ 23 bilhões no próximo ano.
O plano de recuperação inclui uma série de cortes de despesas para restaurar a saúde financeira da estatal. Entre as medidas propostas, destacam-se o fechamento de mil agências deficitárias e a demissão de 15 mil funcionários até 2027. Principais ações incluem:
* Empréstimo de R$ 12 bilhões (R$ 10 bilhões neste ano e R$ 2 bilhões em 2026);
* Mais R$ 8 bilhões em operações de crédito previstas para 2026;
* Programa de demissão voluntária para 15 mil funcionários, com economia estimada de R$ 2,1 bilhões por ano;
* Revisão dos planos de saúde, prevendo uma economia de R$ 700 milhões;
* Fechamento de mil agências deficitárias e reestruturação da malha de serviços, com impacto financeiro positivo de R$ 2,1 bilhões;
* Novas parcerias e diversificação de serviços (incluindo financeiros e seguros), com expectativa de ganhos de R$ 1,7 bilhão;
* Venda de imóveis e ativos, com receita prevista de R$ 1,5 bilhão;
* Empréstimo de R$ 4,4 bilhões com um banco dos Brics para modernização de serviços e tecnologia;
* Contratação de consultoria para revisar o modelo organizacional e societário.
Apesar das iniciativas, os Correios devem registrar um déficit de cerca de R$ 9 bilhões em 2025. A expectativa é de que as perdas sejam ainda maiores no próximo ano, segundo o presidente da empresa. A previsão é que a estatal comece a apresentar lucros a partir de 2027.
O plano visa reverter 12 trimestres consecutivos de prejuízos. Atualmente, a empresa enfrenta um déficit estrutural superior a R$ 4 bilhões anuais, decorrente da obrigação de universalizar o serviço postal em regiões remotas. (Com informações dos jornais O Estado de S. Paulo e O Globo)