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O Herói Verde: José Macedo, aos 74 anos, finaliza mestrado sobre 35 anos de restauração ambiental em Mato Grosso

eu Zé, professoras Fátima Iocca e Solange Ikeda. Foto: Deivid Fonte

José Aparecido Macedo, conhecido como Seu Zé, recentemente obteve seu mestrado na Unemat, onde dedicou 35 anos de sua vida à recuperação de nascentes e rios em Mato Grosso. Aos 74 anos, ele apresentou sua pesquisa no dia 17 de dezembro, no auditório Edival dos Reis, em Cáceres (MT), como parte do Programa ProfÁgua, em parceria com a Agência Nacional de Águas (ANA).

Sua dissertação, intitulada “Práticas e saberes locais: um relato de experiência de 35 anos recuperando nascentes nas bacias hidrográficas dos rios Jauru e Cabaçal-MT”, é um testemunho de sua vida e trabalho sob a orientação da professora doutora Solange Ikeda, especialista em Ecologia e Recursos Naturais. Durante sua apresentação, Seu Zé compartilhou 35 anos de dedicação e observações valiosas.

A professora Fátima Iocca, parte da banca examinadora, destacou que a jornada de Seu Zé representa uma mudança significativa para a Unemat. Ela enfatizou que, enquanto muitos tentam desenvolver projetos de restauração em resposta às crises climáticas atuais, Seu Zé já estava agindo com consciência há décadas. “Trouxemos Seu José para a Unemat, e ele compartilhou sua vasta experiência conosco. Isso é chegar até o povo”, celebra a professora, enfatizando que a trajetória de José, desde o Mobral até o mestrado, é um presente valioso para a universidade.

Um incansável plantador, ele já plantou mais de um milhão de mudas de árvores e tem uma história inspiradora: formou-se biólogo aos 50 anos e agora, com 74, se torna mestre em Gestão e Regulação de Recursos Hídricos. Seu Zé tem grandes planos: atingir a marca de dois milhões de mudas plantadas e transformar a Chácara Baru, uma propriedade de 3 hectares em Cáceres (MT), em um modelo de agrofloresta.

Na Chácara Baru, Seu Zé mantém seu viveiro e conduz sua missão de reflorestamento. Comprada há 11 anos com o objetivo de reverter a degradação do solo, hoje é um laboratório vivo onde a água e a biodiversidade são restauradas. Ele se orgulha de que a área já abriga árvores frutíferas e nativas, como pequizeiros, goiabeiras, urucum e cumbaru, além de polinizadores, como as abelhas jataí e Europa. “O lugar está se transformando em mata, produzindo água e infiltrando no solo. Este ano, a água até se acumulou por mais tempo”, relata.

Os segredos do herói pantaneiro com um toque verde estão na adubação com material orgânico, no uso de esterco, na correção do solo e na completa ausência de agrotóxicos. “As abelhas não podem ser expostas a venenos. Por causa delas, de outros insetos e microrganismos, eu prefiro roçar em vez de capinar; assim, a matéria orgânica se decompõe e forma adubo”, explica.

Embora Seu Zé saiba que não verá sua agrofloresta plenamente desenvolvida, seu propósito é deixar um legado para as futuras gerações. “Não faço isso para mim. Tenho 74 anos. A primeira árvore que plantei foi aos 30. Hoje, ela está adulta e precisa de duas pessoas para ser abraçada. As áreas que plantei estão em processo de restauração. Para que se considere recuperada, deve estar conectada a toda a biodiversidade”, reflete.

A trajetória acadêmica do Mestre Zé é marcada por conexões significativas, começando com o encontro com a professora Solange Ikeda Castrillon. Naquela época, Seu Zé realizava seu primeiro projeto de recuperação de nascente no Rio Cabaçal, enquanto Solange realizava estudos de fitossociologia no mesmo local. “Naquele tempo, eu subia nas árvores e ajudei a coletar amostras para ela, embora trabalhasse de forma empírica. Quando soube que ela fazia Biologia, perguntei o que eu deveria fazer para me tornar biólogo também. Assim, fui estudar Biologia em Indiavaí, onde aprendi muito”, recorda.

Coincidentemente, Seu Zé teve como professor Fernando Ferreira de Morais, irmão do professor Rodrigo, e juntos criaram um herbário com mais de 300 espécies na Instituição de Ensino Superior (IES) onde lecionavam. Com diplomas de licenciatura e bacharelado em Biologia, Seu Zé se destaca como alguém que fez duas monografias para se tornar biólogo.

Em 2014 e 2015, o Laboratório de Educação Ambiental e Restauração Ecológica (Educare) da Unemat, que desenvolve projetos de restauração ecológica, recebeu uma recomendação do professor Fernando, agora na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), sobre Seu Zé, que surpreendeu a todos ao se apresentar. Posteriormente, incentivado pela professora Solange, ele decidiu buscar o mestrado, e sua história continuou a ser escrita.

A paixão de Seu Zé pelas árvores também inspirou seu filho, Hugo Rodrigo Macedo, a se formar em Engenharia Florestal pela Unemat. Atualmente, Hugo é professor na mesma instituição, perpetuando o legado familiar.

O Mestre em Geografia e membro do Instituto Gaia, Clovis Vailant, contabilizou “mais de um milhão de mudas” em janeiro de 2023. O Instituto Gaia colabora com a Unemat no projeto de Restauração da Biodiversidade, onde Seu Zé e a professora Solange atuam. Clovis explicou que essa contagem considera as mudas plantadas em nascentes, margens de rios, áreas de reserva legal e através do viveiro de Araputanga, totalizando cerca de 1.030.000 mudas.

A contagem, no entanto, não para, pois Seu Zé continua sua missão. “Eu quero chegar a dois milhões de mudas. O tempo da natureza é diferente do nosso. O homem vive pouco tempo, e restaurar uma área leva anos. Para desmatar, basta uma motosserra e um minuto para derrubar tudo, mas para regenerar, são muitos anos”, lamenta.

O homem que plantou sua primeira muda em 1983 e que, ao longo de três décadas, colocou mais de um milhão de mudas em Mato Grosso, é um super-herói moderno. Ele não possui capa nem voa, mas tem o poder de regenerar áreas degradadas e fazer a água brotar. Em sua participação no programa Domingão com Huck, ele mostrou que a sobrevivência de lugares como Tuvalu, ameaçados pelo aumento do nível do mar devido ao aquecimento global, depende de mais heróis como Seu Zé ao redor do mundo.

*Com informações da Unemat

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade